Foi assinado ontem, 29 de Janeiro, na Escola Superior Agrária do Politécnico de Viana do Castelo (ESA-IPVC), em Ponte de Lima, um protocolo de cooperação entre oito entidades da região dos Vinhos Verdes – municipais, sectoriais e da área da ciência e investigação – que tem como objectivo promover e valorizar o Vinho Verde. Participam no consórcio as Câmaras Municipais de Arcos de Valdevez, de Ponte da Barca, de Ponte de Lima e de Viana do Castelo, o Politécnico de Viana do Castelo (líder do consórcio), a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, a Adega Cooperativa de Ponte de Lima e a Barcos Wines – Adega Ponte da Barca e Arcos de Valdevez.
O Politécnico de Viana do Castelo, líder do consórcio, assinala o «papel preponderante da vitivinicultura para a região do Vale do Lima» e que o consórcio tem em vista a «promoção e valorização» dessa vitivinicultura, «com impacto na economia e no desenvolvimento do território». «O protocolo estabelece a criação de um projecto capaz de transferir conhecimento aos vitivinicultores relativamente à identificação das zonas de aptidão vitivinícola, à gestão eficiente e racional dos recursos hídricos, à protecção e manutenção da fertilidade do solo, à adopção de técnicas e métodos de viticultura de precisão e à valorização dos subprodutos da fileira vitivinícola numa óptica de economia circular», refere a entidade.
Segundo a ESA-IPVC, citando Isabel Valín, professora e directora da entidade, «o consórcio terá como fundamentos identificar os solos com maior aptidão vitivinícola do Vale do Lima, não só para a casta Loureiro, mas também para outras castas», e, posteriormente, «já num trabalho de campo, serão analisadas as diferentes parcelas de terreno no que toca às condições climáticas e topográficas, por forma a identificar as práticas de produção que melhor se adequam, com vista à obtenção da melhor e maior eficiência do uso do solo e da água». Está igualmente contemplada «uma actuação no controlo de pragas e doenças», sendo que depois «o trabalho terá continuidade nas próprias adegas, através da identificação de práticas enológicas e, numa óptica de economia circular, existe também uma forte preocupação ambiental, concretamente com o aproveitamento de subprodutos, como sobrantes de podas ou bagaços da uva após o seu esmagamento, materiais que poderão ser utilizados na indústria farmacêutica ou cosmética», salienta a entidade.
O Politécnico de Viana do Castelo indica que, nesta iniciativa, irá actuar em estreita articulação com o Nutrir-CISAS – Núcleo Tecnológico para a Sustentabilidade Agroalimentar –, que conta com uma equipa multidisciplinar de docentes e investigadores. Na cerimónia de assinatura do protocolo, Isabel Valín destacou que a região do Vale do Lima tem «uma tipicidade muito própria, porque temos território perto do mar, com as dificuldades de salinidade ou humidade, e também território em altura, onde a vinha tem um comportamento completamente diferente», e que, «por isso, é preciso estudá-lo e tirar daqui o melhor proveito».
O presidente do Politécnico de Viana do Castelo, Carlos Rodrigues, afirmou que «estão lançadas as pedras necessárias para que o sector vitivinícola possa crescer e se afirmar ainda mais, para que seja acrescentado valor ao produto e para que ele tenha o necessário reconhecimento». A presidente da Direcção da Adega Cooperativa de Ponte de Lima, Celeste Patrocínio, destacou a importância da «transferência de conhecimentos e tecnologias da academia para o sector» que a iniciativa proporciona, de forma a que a evolução ocorrida na região nos últimos anos seja acompanhada por estratégias que «valorizem a garantam a sustentabilidade do território».
Dora Simões, presidente da direção da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, apontou este consórcio como um contributo para o «desenvolvimento da região». Por fim, o presidente da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, João Manuel Esteves, defendeu que este consórcio «marca a diferença».
