Anipla manifesta preocupação com as prioridades agrícolas definidas no PRR

A Anipla – Associação Nacional da Indústria para a proteção das Plantas caracteriza as prioridades que constam do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) com uma «ambição bastante limitada», face às metas que tinham sido anunciadas e, nesse sentido, a associação toma uma posição e avança com algumas medidas que podem reverter este cenário.

Num comunicado enviado às redacções, a Anipla começa por recordar declarações de Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura, em entrevista ao DN, em Janeiro deste ano: «(…)Queremos que aconteça em Portugal o que vemos na Europa a nível de média etária dos agricultores, ter políticas activas da gestão do território que o tornem mais sustentável e impeçam os flagelos que decorrem das alterações climáticas. Estes são desafios que temos de saber encontrar forma de compatibilizar: a produção dos alimentos, fazer face às alterações climáticas e à conservação da biodiversidade. Por outro lado, como é que recompensamos o produtor pela gestão dos serviços dos ecossistemas, para conseguirmos garantir sistemas mais sustentáveis de produção, produção biológica sem perda de rendimento nas explorações e a sua viabilidade. Porque se perdemos a viabilidade das operações vamos ter mais abandono do mundo rural.»

Face a estes objectivos, a Anipla declara: «Contudo, quando olhamos para as prioridades esplanadas no âmbito do PRR recentemente apresentado, verifica-se uma ambição bastante mais limitada».

A associação defende que a agricultura e as indústrias alimentares têm um peso muito significativo na economia nacional, acrescentando que na actual crise pandémica o sector voltou a estar presente, não vacilando, e demonstrando ser uma actividade impulsionadora da economia nacional, resiliente e com grande capacidade de adaptação aos desafios que lhe são impostos pela sociedade.

«E é por isso que nos preocupa e deixa alerta, ficar de fora no debate, as prioridades agrícolas. Preocupa-nos que este que é um sector fundamental – só o sector agroalimentar totaliza cerca de 8,9 % do Valor Acrescentado Bruto (VAB) português – que tem um peso irrefutável nas exportações e que incorpora cada vez mais inovação e tecnologia na defesa e preservação da biodiversidade, fique à margem, sendo que é pilar de um desenvolvimento sustentável em matéria de economia, ambiente e, sobretudo, coesão territorial».

A Anipla entende assim ser fundamental concretizar medidas que acompanhem a necessidade de investimento no sector agrícola, que «permitam a continuidade e viabilização da actividade agrícola empresarial e não apenas investimentos pontuais “orientados para a investigação e conhecimento que permitam fazer face à mudança de paradigma”, como refere também a Senhora Ministra».

Tendo em conta este contexto, aguardam com expectativa a forma como a distribuição desses investimentos irá ser efectivada, salvaguardando a necessidade de reforçar a modernização e competitividade da agricultura nacional e dos agricultores portugueses, apostando em, e enumeram:

  • Medidas que apoiem a criação de emprego e a fixação nos meios rurais;
  • Medidas específicas que apoiem os agricultores na mitigação do efeito das alterações climáticas particularmente na gestão da água e preservação dos solos e da biodiversidade nas explorações;
  • Medidas concretas que promovam o investimento em ciência e tecnologia digital;
  • Medidas concretas que reforcem a formação para capacitar e profissionalizar os agricultores na utilização de ferramentas inovadoras e tecnológicas;

«É grande a nossa expectativa em redor do PRR no seu potencial de nos colocar ao mesmo ritmo dos demais países europeus e por ser provavelmente a oportunidade derradeira para tal, uma vez que ajudas desta dimensão não serão certamente garantidas num futuro próximo», rematam no documento.

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