PortugalFoods apresenta as 10 grandes tendências do sector agroalimentar para 2024

Os consumidores continuam preocupados com aumento dos preços, mas tendencialmente estão a mudar o enfoque nos custos para o cuidado com o que ingerem, preferindo alimentos com ingredientes e preparados para cuidar da sua saúde.

Outra das tendências observadas nos consumidores é a de que estão cada vez mais focados em seleccionar produtos alimentares de marcas que, no seu processo produtivo, tenham preocupações com o ambiente. Ou seja, não procuram apenas produtos baratos, mas alimentos pensados para impactarem positivamente o melhor de dois mundos: o corpo e o planeta. Estas são algumas das conclusões que a consultora internacional Innova Market Insights, a convite da PortugalFoods, entidade gestora do cluster do sector agroalimentar nacional, apresentou no seminário “Trends 2024”, que juntou no Auditório do TECMAIA mais de 200 representantes da indústria agroalimentar portuguesa.

«Para assegurarem o seu futuro, os fabricantes da indústria transformadora e as marcas devem capacitar-se para responder ao mercado – e este exige e reage, cada vez mais, a valores e propósitos muito claros, que tornam a missão das empresas mais desafiante. Se o preço ainda faz a diferença, não menos peso na decisão dos consumidores têm factores como a origem dos produtos, a sustentabilidade do processo produtivo, os benefícios para a saúde e os valores defendidos pelas marcas. Para a indústria, é um desígnio crucial ter produtos que sejam competitivos para o consumidor, com qualidade e que transmitam confiança – seja nos novos ingredientes utilizados, seja nas suas iniciativas de sustentabilidade», analisa Deolinda Silva, directora executiva da PortugalFoods.

Para a responsável, a indústria nacional e as empresas agroalimentares têm conseguido responder de forma superior às tendências do mercado: «Estamos orientados para o mercado, muito atentos às tendências mundiais e somos dinâmicos nas respostas e nas soluções que encontramos, resultado da visão consistente que temos tido em matéria de Inovação e de Desenvolvimento de novos produtos. Apresentamos também características de mercado, ideal para testar conceitos dada a adaptabilidade da indústria e dos consumidores portugueses. Nesse sentido, esta indústria está na linha da frente no que diz respeito à inovação alimentar», conclui.

Para a equipa da Innova Market Insights, pela voz de Marta Delgado del Río, «os consumidores têm absorvido muita informação nos últimos anos e associam produtos de qualidade a determinados ingredientes saudáveis, desde ‘superfrutas’, proteínas ou até bactérias amigas para o organismo. Daí que a primeira tendência de mercado para 2024 seja a aposta clara nos ingredientes-estrela, das proteínas às fibras».

E praticamente quatro anos depois de uma pandemia global ter virado as nossas vidas do avesso, ainda há resquícios da pandemia nas maiores tendências para este novo ano: «Queremos aproveitar mais as nossas casas, preparando os produtos e convivendo com todos aqueles, amigos e família, de quem estivemos separados», reforça a equipa da consultora que, anualmente, com base em inquéritos realizados aos consumidores em diversos países, desenvolve uma análise aprofundada às principais tendências de consumo nos diversos mercados mundiais e aponta as oportunidades de inovação para a indústria e para as marcas alimentares.

Num contexto em que os consumidores pretendem cuidar de si, a indústria deve, no seu portefólio de produtos e na sua comunicação, realçar a presença de determinados ingredientes, como se pode verificar na primeira das 10 grandes tendências que vão impactar o sector agroalimentar no curto e médio prazo:

1. Ingredients: Taking the spotlight (Ingredientes-Estrela): São o factor decisivo na escolha dos consumidores na hora da compra, com a proteína a ser o ingrediente mais procurado. Cerca de um terço dos consumidores, em todo o mundo, dizem que procuram sempre informação sobre os ingredientes presentes nos rótulos das embalagens. Cerca de 42% dos inquiridos referem que a proteína é o ingrediente mais relevante, visto como essencial para uma melhor gestão do corpo e do peso. Esta procura do ingrediente essencial – que a indústria deve comunicar abertamente nas embalagens e na promoção dos produtos – é geracional: se as novas gerações procuram proteína e minerais, as mais velhas querem produtos com vitaminas, fibras ou Ómega-3.

2. Nurturing Nature (Nutrir a natureza): Os consumidores pretendem que as marcas sejam mais pró-activas e vão além do “chavão” da sustentabilidade. Querem garantias de que estão a tomar acções concretas que protejam o ambiente e a natureza e, por isso, procuram produtos que usem menos água, protejam as florestas ou utilizem apenas energias renováveis no seu processo produtivo. A implementação de bioengenharia e de tecnologia para criação de variedades mais adaptadas, que necessitem de menos recursos e promovam uma agricultura de precisão que seja mais “amiga do ambiente”, é apreciada, da mesma forma que afirmações da utilização de agricultura regenerativa ou biodinâmica são extremamente positivas para os consumidores.

3. Prioritizing Prevention (Priorizar a prevenção): Mais de um terço dos consumidores pretendem ser pró-activos na gestão da sua saúde– mostrando, antes de mais, preocupações com a gestão do peso, mas também com a saúde do coração, dos ossos e das articulações. A indústria, por isso, deve procurar conhecer ao máximo os seus públicos-alvo e definir as mensagens de acordo com as principais preocupações de saúde que cada um demonstra: se Baby Boomers, os consumidores preocupam-se, sobretudo, com a saúde cardíaca, e têm foco no envelhecimento saudável e na mente sã; já os da Geração X colocam a questão da gestão do peso no topo das suas prioridades; por seu turno, os Millenials e Gen Z mostram preocupações com o seu sistema imunitário, preferindo também produtos positivos para a sua pele e que lhes proporcionem energia e vitalidade – sem nunca colocar de lado aquelas que são prioridades comuns a todas as gerações: a gestão do peso e a saúde do coração.

4. Plant-Based: The Rise of Applied Offerings (Produtos de origem vegetal: alargar a oferta): Nesta tendência, apontada já em 2023, os alimentos à base de plantas sobem claramente de posição na lista de tendências: se, antes, era apenas pensado para o nicho vegan, há espaço para alargar a base de consumidores, uma vez que estes começam a ver nestes produtos uma forma de diversificarem a sua dieta. Mais de metade dos consumidores expressam também o desejo de experimentar versões plant-based de culinária tradicional e local, com a indústria a responder com a oferta de refeições prontas em formatos acessíveis e simples – incluindo, por exemplo, finger food, snacks, mas também refeições principais.

5. Local goes Global (Local torna-se global): Os consumidores estão abertos a novas experiências. Mais de dois terços dos inquiridos dizem-se disponíveis para experimentar e incluir nas refeições do dia-a-dia sabores do mundo. E metade dos mais jovens querem mesmo provar e cozinhar refeições de zonas distantes do planeta. No entanto, a preocupação com o ambiente e com os produtos locais mantém-se. Os clientes preferem produtos produzidos nos seus próprios países, valorizando quem apresenta essas opções, mesmo para pratos tradicionais de outras geografias.

6. Home Kitchen Heroes (Heróis na cozinha): Durante a pandemia, muitos consumidores puderam dedicar mais tempo à cozinha e a criatividade culinária floresceu. Aproveitaram para consumir produtos mais saudáveis e, ao mesmo tempo, que lhes permitissem economizar no custo das refeições. Com a inflação crescente, essa tendência mantém-se no pós-pandemia, seja pelas marmitas saudáveis e económicas, seja por “a casa” se ter tornado num espaço mais acolhedor, onde se convive e se partilha a paixão por produtos, técnicas de cozinha e experiências gastronómicas. As novas tendências passam pelo lançamento de kits com ingredientes para desenvolver determinados tipos de culinária (japonês, coreano, mexicano) ou por produtos pré-confeccionados que recriam pratos e bebidas habitualmente consumidos na restauração.

7. Indulging in Health (Indulgência saudável): Mais uma vez, uma tendência que junta o melhor de dois mundos num único conceito: os consumidores pretendem que os snacks e aqueles produtos que lhes transmitem conforto – bolachas, produtos de pastelaria, chocolates, gelados, refrigerantes, entre outros – sejam feitos com ingredientes “saudáveis”, adicionando probióticos, prebióticos, antioxidantes, cálcio, fibras naturais; substituindo ou reduzindo açúcares refinados; usando fórmulas e declarações “sem álcool”, etc.

8. Oceano of Possibilities (Oceanos de Possibilidades): Os oceanos vão ser as quintas do futuro, usando processos produtivos mais sustentáveis, e os produtos de origem marinha vão entrar na alimentação regular. Os lançamentos de alimentos e bebidas com microalgas, por exemplo, aumentaram mais de 42%, em termos acumulados, entre 2020 e 2023. Seja pelo sabor, seja pelo crescimento da dieta vegan, pelas excelentes características nutricionais ou pelas declarações de sustentabilidade, as algas entraram no dia-a-dia dos consumidores.

9. H20: Quenching the Future (H2O: diversificar o futuro): Outra das tendências que conjuga saúde e alimentação, passa pelo enfoque dos consumidores na hidratação. As bebidas e os ingredientes que antigamente estavam confinados aos desportos e aos ginásios – eletrólitos, isotónicos e bebidas de frutas antioxidantes – saltaram para as prateleiras dos supermercados. A preocupação com o envelhecimento saudável criou um mercado onde águas com adição de nutrientes e as suas características únicas (como, por exemplo, as águas alcalinas) são muito valorizadas pelos consumidores. A necessidade de se manter hidratado fará, igualmente, aumentar o mercado das águas com sabores – já existente –, mas agora mais concentrado em adicionar nutrientes e vitaminas a essa oferta.

10. Minimizing the Noise (Minimizar o ruído): A transparência e a honestidade na informação nutricional são fulcrais para os novos consumidores, numa era de desinformação. Metade referem recear que as marcas os enganem na sua comunicação. Por isso, preferem que as embalagens sejam claras, com um bom conteúdo e sem conteúdos e elementos visuais exagerados.

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