Ensaio de rega gota-a-gota em arroz na Agroglobal teve produtividade média idêntica à média nacional

No ensaio de produção de arroz com rega gota-a-gota, realizado em Santarém no âmbito da Agroglobal em 2023, a produtividade média da parcela foi de 5.723,4 quilogramas por hectare, idêntica à média nacional da cultura do arroz – que foi de 5.707 kg/ha, em 2022, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística. Os resultados do ensaio, promovido pelas empresas Magos Irrigation Systems, Rivulis, BASF, ADP Fertilizantes e TerraPro, foram divulgados a 12 de Janeiro, num evento que teve lugar em Salvaterra de Magos.

Segundo os promotores, o arroz, da variedade PVL136IT – do tipo agulha, com tecnologia Provisia, da BASF, que «torna as plantas resistentes à acção do herbicida Verresta» –, foi cultivado num terreno com pendente, não nivelado, sem canteiros, teve uma densidade de sementeira (cruzada) de 140 kg/ha, foi regado por via da fita T-Tape 508 20 500 do fabricante Rivulis – com espaçamento de 20 cêntimetros entre gotejadores, débito de 1 l/hora e 75 cm de distância entre linhas de rega –, foi colhido com 18,1% de humidade e obteve 67% de rendimento industrial. Neste ensaio, «o consumo de água pela cultura foi de 9.409 m³/ha, representando uma poupança de 6% a 37% face ao sistema de rega convencional por alagamento, cujo consumo oscila entre 10.000 m³/ha e 15.000 m³/ha».

A TerraPro efectuou o mapeamento da condutividade eléctrica do solo antes da instalação da cultura, e ao longo do ciclo cultural monitorizou o teor de humidade e a temperatura do solo (com uma sonda de seis sensores até 60 cm de profundidade) e controlou as dotações de rega (através de um contador volumétrico). O programa de fertilização da ADP incluiu o adubo sólido Plusmaster, o adubo líquido Nutrifluid Impulse e o biofertilizante Neoforce.

Na iniciativa, «concluiu-se que a regulação térmica das plantas de arroz através da água é possível com a rega gota-a-gota, através de uma adequada gestão da dotação e duração das regas». Os promotores referem também que «a fertilização da cultura através da água de rega permite maior precisão na distribuição dos nutrientes às plantas e melhor repartição da fertilização ao longo do ciclo cultural, reduzindo as perdas de nutrientes, diminuindo a contaminação do solo e dos lençóis freáticos, e melhorando a pegada de carbono da cultura, pela redução de passagens com máquinas».

É igualmente sublinhado que «os resultados do ensaio demonstram que há um bom controlo das infestantes com o tipo de semente e os herbicidas utilizados». O consórcio que promoveu esta iniciativa afirma que «as tecnologias testadas abrem a possibilidade de expandir a cultura do arroz a novas áreas de produção em Portugal, integrando o arroz numa rotação de culturas, aconselhável para o uso sustentável do solo», acrescentando que «o ensaio demonstrou que é possível produzir arroz com boa produtividade em terrenos que nunca produziram arroz e que não são nivelados».

Desde 2022, decorrem ensaios de produção de arroz com rega gota-a-gota numa parcela em Pancas, Samora Correia, envolvendo algumas empresas envolvidas no ensaio na Agroglobal e outras. «No primeiro ano, o sistema gota-a-gota permitiu poupar 45% de água face à modalidade testemunha (rega por alagamento), embora com uma redução de 48% na produção de arroz, e em 2023, a poupança de água atingiu os 47%, com uma redução de 16% na produção face à testemunha», destacam os promotores do ensaio em Pancas.

O consórcio que levou a cabo o ensaio na Agroglobal realça que, «apesar de a rega gota-a-gota representar um aumento do custo da conta de cultura, que pode oscilar entre mais 500 e 700 euros por hectare, os benefícios desta tecnologia são evidentes numa situação de aumento do preço da água por escassez deste recurso, como a que já se vive no Sul de Espanha». Dizem ainda que «o ensaio de rega gota-a-gota na cultura do arroz vai prosseguir nos próximos anos nos campos demonstrativos da Agroglobal» e que «será alargado a outras regiões produtoras de arroz, nomeadamente, às bacias do Sado e do Mondego, no intuito continuar a testar a tecnologia e optimizar as suas variáveis, para que a cultura do arroz seja viável em novas áreas agrícolas e nas actuais, num cenário futuro de maior escassez de água».

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