Projecto português desenvolve novos produtos alimentares totalmente à base de alfarroba

Hoje, 15 de Março, pelas 14h00, vão ser apresentadas na Universidade Católica Portuguesa no Porto as principais conclusões do projecto de investigação português Alphamais – Desenvolvimento de novos preparados alimentares e ingredientes funcionais à base de alfarroba.

Em três anos de projecto, financiado pelo Norte 2020 e pelo Algarve 2020, foi possível, através da biotecnologia, criar um conjunto de novos ingredientes e preparados alimentares funcionais utilizando apenas a alfarroba.

Portugal é um dos maiores produtores mundiais de alfarroba, mas a sua utilização ainda não está massificada.

Em 2020, Portugal era o maior produtor de alfarroba do mundo e mais de metade da sua produção servia para exportar para outros países.

Além do valor socioeconómico da alfarroba, junta-se o valor histórico desta cultura centenária, particularmente marcante no Algarve.

Tendo em conta estes dados, a empresa Decorgel, em conjunto com investigadores do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e de investigadores do Centro de Investigação MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento e do Instituto Superior de Engenharia da Universidade do Algarve, desenvolveram um projecto de investigação com a particularidade de olhar a alfarroba de uma forma global, criando valor num produto endógeno e explorando valor tecnológico do mesmo, numa abordagem de transformação totalmente natural.

O projecto também trouxe novas propostas de transformação para os subprodutos da transformação da alfarroba, promovendo a sua utilização total na obtenção de novos ingredientes.

Além do impacto na valorização do portefólio da Decorgel, eleva o potencial da alfarroba como produto nacional, promovendo a sua integração em novos produtos como ingrediente natural e de elevado valor acrescentado.

Manuela Pintado, investigadora do Centro de Biotecnologia e Química Fina da Universidade Católica Portuguesa, explica que «os principais resultados foram a obtenção de novos ingredientes e preparados alimentares funcionais, utilizando de forma integral a alfarroba, com recurso a soluções biotecnológicas de micronização e de extração de compostos. Foram ainda valorizados subprodutos de alfarroba com vista à obtenção de ingredientes e preparados alimentares funcionais, explorando o ingrediente na sua totalidade, numa lógica de desperdício zero».

«O Alphamais está intrinsecamente ligado aos valores da Decorgel e àquilo que acreditamos ser o seu papel no tecido nacional», refere António Nunes, CEO da Decorgel, acrescentando que «a abordagem à utilização de alfarroba de uma forma total e através do uma transformação natural procura elevar as suas componentes a uma utilização com vantagens nutricionais, funcionais e tecnológicas muito acima da sua utilização tradicional».

Para Margarida Vieira, investigadora do MED ­– Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, e que tem vindo a desenvolver novos produtos à base de polpa de alfarroba, «este projecto veio trazer uma nova visão sobre produtos a desenvolver com este fruto e foi importante o estudo do comportamento deste novo produto em misturas aquosas e com leite na presença de açúcar».

O consórcio do projecto acredita que esta abordagem possa alavancar a proposta de valor da alfarroba como ingrediente natural, fazendo-a ultrapassar a fronteira nacional e demonstrando o seu valor como imagem de produto com selo nacional para uma promoção internacional.

«Faz parte da visão deste projecto a promoção da sua abordagem à alfarroba e disseminação a outros produtos nacionais de elevado potencial, para que possam acrescentar valor de forma natural e ser explorados de forma total, numa perspectiva de exportar a identidade dos produtos e ingredientes nacionais», conclui o CEO da Decorgel.

A sessão de encerramento do projecto de investigação português Alphamais – Desenvolvimento de novos preparados alimentares e ingredientes funcionais à base de alfarroba, financiado pelo Norte 2020 (79%) e pelo Algarve 2020 (21%), realiza-se hoje, 15 de Março, pelas 14h00, no Auditório Arménio Miranda do Edifício de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa no Porto.

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