No âmbito do grupo operacional AGIR, está a ser desenvolvido um sistema de avaliação de desempenho da eficiência da utilização da água e da energia nas redes de transporte e distribuição de água para agricultura, tendo como objectivo «optimizar o uso da água e da energia no regadio, reduzindo perdas». A propósito da segunda sessão de divulgação do projecto, que decorreu recentemente, a Federação Nacional de Regantes de Portugal (Fenareg), entidade que coordena o grupo operacional, afirma que esta nova ferramenta de diagnóstico e avaliação «ajudará as entidades gestoras dos perímetros de rega públicos a tomar decisões fundamentadas sobre investimentos de modernização e gestão das infraestruturas» e que pode vir a beneficiar «mais de 50 entidades gestoras de água e 200.000 hectares de regadio».
Os participantes do grupo operacional AGIR têm procurado desenvolver «uma matriz de avaliação universal», tendo por base o estudo de casos-piloto de três aproveitamentos hidroagrícolas – Odivelas (Alentejo), Vigia (Alentejo) e Vale do Sorraia (Ribatejo). Esta iniciativa teve início em 2017, termina em 2020 e conta com financiamento do PDR 2020, no âmbito do programa “Grupos Operacionais”.
Segundo um comunicado da Fenareg, «os resultados preliminares do projecto apontam para a necessidade de reabilitar as infraestruturas, investir na manutenção dos equipamentos de medição e melhorar o controlo operacional da rede de distribuição de água». O documento explica que, após terem realizado o diagnóstico da situação dos três casos-piloto, nos primeiros dois anos do projecto as entidades envolvidas «aferiram perdas de água em canais e hidrantes e investiram em programas de telegestão para controlo da distribuição de água e na melhoria da automatização das estações elevatórias, entre outras medidas».
Também é referido que, «ao nível da parcela agrícola, estão a ser identificados factores críticos de intervenção e serão feitas recomendações para melhorar os sistemas de rega e o uso da água e da energia (dimensionamento ou reconversão de sistemas, alterações nas dotações e intervalos de rega)». O comunicado indica que deste projecto vai resultar «um Manual de Boas Práticas de Rega, destinado aos agricultores».
Este grupo operacional “AGIR – Sistema de Avaliação da Eficiência do Uso da Água e da Energia em Aproveitamentos Hidroagrícolas” é composto por vários parceiros, nas vertentes de investigação – Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Universidade de Évora (UE), Instituto Politécnico de Setúbal (IPS), Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (Iniav), Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) –, entidades gestoras de aproveitamentos hidroagrícolas – Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (Aboro), Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sorraia (Arbvs) e Associação de Beneficiários da Obra da Vigia (Abovigia) – e agricultores – Sociedade Agrícola Bico da Vela II, Agro-Vale Longo, Lda e Mencoca Agricultura, Lda. Sobre este projecto, Helena Alegre, responsável do LNEC, considera que esta ferramenta «pode vir a ser usada no apoio à definição de políticas públicas». Carrina Arranja, secretária geral da Fenareg, defende que «o projecto AGIR vem demonstrar o empenho do sector agrícola em praticar um regadio eficiente e sustentável».
