III Congresso Ibérico do Milho apela a medidas europeias que potenciem a agricultura

Cerca de 700 pessoas participaram no III Congresso Ibérico do Milho, que decorreu nos dias 21 e 22 de Fevereiro em Lisboa, numa organização conjunta da Anpromis (Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo) e da AGPME (Associação Geral dos Produtores de Milho de Espanha). A organização do evento refere que participantes e oradores «reafirmaram a importância da cultura do milho na agricultura de regadio do Sul da Europa, contribuindo para criar emprego, gerar desenvolvimento socioeconómico e fixar a população no território», com as conclusões do III Congresso Ibérico do Milho – que reproduzimos abaixo – a abordarem vários temas, com grande incidência na necessidade de alterações no quadro regulamentar ao nível da União Europeia.

• «O milho é uma das principais culturas de regadio na Península Ibérica, ocupando uma área que ronda os 650 mil hectares.

• O 3.º Congresso Ibérico do Milho constituiu mais um passo muito relevante para a criação de uma plataforma de diálogo, partilha de conhecimento e defesa conjunta dos interesses dos produtores de milho portugueses e espanhóis, tanto nas instâncias nacionais como europeias.

• O milho encontra-se, reconhecidamente, entre as culturas que mais optimizam o uso dos factores de produção, sejam eles a água ou a energia.

• O milho produzido na Península Ibérica é reconhecido pela sua qualidade intrínseca e tem uma importância primordial na alimentação humana e animal dos nossos dois países.

• As culturas de regadio, e em concreto o milho, contribuem, de forma notória, para a fixação das populações no território rural dos países do sul da Europa, criando emprego, desenvolvimento socioeconómico e coesão territorial.

• A importância que a agricultura de regadio tem na preservação da paisagem ibérica e no ordenamento do seu território tem de ser compensada através da criação de medidas ambientais verdadeiramente adaptadas à realidade dos nossos dois países.

• Portugal e Espanha têm de defender de uma forma descomplexada o fomento do regadio, tanto a nível nacional, como europeu.

• É imperioso que Portugal e Espanha defendam uma revisão imediata da Política Agrícola Comum, não só em Bruxelas, mas também na sua aplicação prática nos nossos dois países, sob pena da competitividade dos nossos produtores ficar, irremediavelmente, colocada em causa.

• A Comissão Europeia tem de repensar seriamente as regras que impõe aos agricultores europeus, nomeadamente ao nível da BCAA7 e da instalação das culturas secundárias, atendendo às especificidades de cada país.

• A produção europeia de cereais não pode ser penalizada pela exclusão consecutiva de substâncias activas, colocando em causa a nossa capacidade de produção e contribuindo para a ausência de ferramentas de controlo de infestantes tão impactantes para a produção europeia como é o exemplo da Datura.

• É totalmente inaceitável que os produtores europeus de milho tenham que desenvolver a sua actividade sob um conjunto de enormes restrições e imposições, permitindo-se em simultâneo a importação de produtos de países terceiros onde os standards de qualidade e de segurança alimentar exigidos aos seus agricultores se encontram em patamares muito inferiores aos exigidos no espaço europeu. Esta distorção de concorrência é, para os produtores ibéricos, intolerável!

• A União Europeia tem de autorizar, sem receios e complexos fundamentalistas, o cultivo de variedades desenvolvidas recorrendo à utilização das novas técnicas genómicas (NTG), sendo esta uma oportunidade única de retomar a dianteira no que respeita à investigação no domínio da biotecnologia.

• A Europa não pode continuar isolada do mundo e tem de permitir a aplicação de herbicidas e outros fitofármacos através da utilização de drones, aplicando assim estes produtos apenas onde são necessários.

• Assumindo que a Comissão Europeia não abandonou, ainda, a aplicação integral do Pacto Ecológico Europeu, não implementar estas medidas, entre outras, é decretar a morte irremediável da agricultura europeia. Também por isto, têm razão os agricultores europeus nas suas acções de protesto!

• A Comissão Europeia e os cidadãos europeus têm de olhar de uma outra forma para a sua agricultura, não lhe retirando a sua capacidade de produzir alimentos de uma forma sustentável, sem dogmas ambientalistas, que nada contribuem para a sustentabilidade do território europeu.

• Num contexto de total instabilidade e imprevisibilidade geopolítica mundial, a soberania alimentar, a par da defesa, constitui, para os países europeus, um desígnio estratégico. Cabe, a cada um dos Estados-membros, tomar as devidas medidas para que este objectivo estratégico passe a constituir uma verdadeira prioridade.

• O 3.º Congresso Ibérico do Milho, e a grande dinâmica criada em seu torno, reconhecem a importância que as associações e as organizações de produtores desempenham no modelo agrícola europeu pois, claramente, junto somos e seremos sempre mais fortes!»

Entre os 36 oradores que marcaram presença nos vários painéis do III Congresso Ibérico do Milho, figuravam eurodeputados portugueses e espanhóis, que participaram no painel “A importância da gestão integrada dos recursos hídricos em ambiente de alterações climáticas”. Segundo a organização, os eurodeputados «concordaram que o regadio deve ser um desígnio estratégico para defender no Parlamento Europeu», com a organização a acrescentar que, «em conjunto, os dois países poderão alcançar medidas que beneficiem os agricultores que diariamente procuram estratégias para se adaptarem aos impactos das alterações climáticas, nomeadamente os eventos extremos».

Clara Aguilera, eurodeputada espanhola da Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas Europeus, defendeu que «a política da água é essencial na próxima legislatura», sublinhando que «as infraestruturas hídricas estão a tornar-se importantes» e que Portugal e Espanha já têm um histórico de «sucesso» na defesa conjunta dos seus interesses juntos, dando como exemplo a electricidade – que considera ser um modelo passível de transpor para a gestão da água. Juan Ignacio Zoido, eurodeputado espanhol do Partido Popular Europeu, considera que «é preciso desenvolver uma infraestrutura hídrica moderna que permita travar o impacto das alterações climáticas» e que é urgente aproveitar métodos como «a dessalinização e a reutilização de água».

Nuno Melo, eurodeputado português do Partido Popular Europeu, afirmou que os «agricultores são ambientalistas racionais», que as instituições europeias têm uma posição muito dogmática em relação às medidas ambientais e que deve existir «uma discriminação positiva para o sul da Europa e, em Portugal, deve, por fim, existir uma política de transvases; a água deve ser uma prioridade para qualquer Governo”». Sandra Pereira, eurodeputada portuguesa da Esquerda Europeia, apontou a água como uma «prioridade» e comentou que «há infraestruturas que são estratégicas e não se percebe porque não saem do papel: falamos de obras de apoio ao regadio e da criação de estruturas que permitam a reutilização de água».

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Email

Notícias Recentes

Alqueva
EDIA disponibiliza Anuário Agrícola de Alqueva de 2023
4a
Grow Field Days promove visitas de campo com foco no microbioma do solo
fig-972271_1280
Workshop “Figos para o Futuro: capacitar os pequenos produtores através do desenvolvimento de novos modelos de negócio”

Notícias relacionadas

Alqueva
EDIA disponibiliza Anuário Agrícola de Alqueva de 2023
A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA) disponibilizou...
4a
Grow Field Days promove visitas de campo com foco no microbioma do solo
No âmbito da iniciativa “Grow Field Days”, com o mote “De agricultor para agricultor!”,...
fig-972271_1280
Workshop “Figos para o Futuro: capacitar os pequenos produtores através do desenvolvimento de novos modelos de negócio”
O projecto InovFarmer.MED apresenta o seu primeiro workshop, focado na cadeia...
FLF 250_entrevista_porbatata
«Tem de haver uma maior partilha de risco»
As perpespectivas para a campanha, os problemas com a batata de semente e o...