Competências para Internacionalizar

(Artigo publicado na edição de Fevereiro por Carlos Sezões, Coordenador da Plataforma Portugal Agora)

A globalização veio para ficar. A crescente mobilidade de capital intelectual, tecnológico e financeiro e o incremento do comércio internacional são tendências imparáveis. Por mais muros que se possam construir, teremos cada vez menos barreiras e seremos mais interdependentes.

O que tem feito Portugal? Fruto da sua situação particular dos últimos oito anos, Portugal teve o imperativo de olhar para fora. Tornou-se mais aberto e cosmopolita, um hub de pessoas, produtos e serviços. Através das suas empresas, assumiu uma postura mais competitiva nos sectores de bens transaccionáveis, exportou, criou e consolidou parcerias lá fora, começou a estar presente nos mais importantes canais de distribuição e criou bases exteriores estáveis (que marcam a diferença entre quem apenas “exporta” e quem se “internacionaliza”). Muitos casos de sucesso, do agro-alimentar à indústria, do turismo às tecnologias, estão aí para o demonstrar.

Como multiplicar estes bons exemplos? Na minha actividade profissional de gestor e consultor de Executive Search, lido com muitas empresas que procuram talento para internacionalizar. É por esse prisma que deixo esta breve análise.

Primeiro é necessário, como em qualquer agenda empresarial, Visão (saber onde queremos chegar), Estratégia (o caminho a trilhar) e Liderança (mobilizar pessoas e fazer as coisas acontecer). Depois, há que desenvolver uma análise estratégica (stakeholders locais, processos, legislação, oportunidades, idiossincrasias e variáveis culturais nacionais e regionais) acerca da geografia em que nos pretendemos inserir. Tudo isto implica a adaptação a culturas e mercados diferentes, sabendo que existe tempo de semear e tempo de colher. Em concreto, considero mandatório o desenvolvimento de três competências-chave nas nossas empresas que se queiram internacionalizar e adquirir uma essência verdadeiramente global:

1) Orientação à mudança e inovação – a capacidade de equacionar novos modelos de negócio, novos processos de trabalho, novos canais de distribuição; ser empreendedor, percepcionando oportunidades e estabelecendo um grau de aceitação do risco, baseado numa boa análise da realidade (nomeadamente, investimento em benchmarking e em market intelligence);

2) Resiliência – a capacidade de resistir à pressão e ao choque inicial, ao (provável) desconforto físico e emocional de trabalhar fora da zona de conforto; há que preparar as pessoas em vias de expatriação ou missões internacionais mais prolongadas para este percurso, o qual nunca é fácil;

3) Liderança e Gestão Intercultural – conhecer, interpretar e agir sobre diferentes realidades culturais e nacionais; compreender atitudes e comportamentos inerentes aos contextos sociais, históricos ou geográficos; perceber as influências culturais em variáveis como autonomia vs. centralização ou formalismo vs. informalidade; ou como algumas culturas valorizam o indivíduo, outras o colectivo; ou como se enquadra o tempo e como temos culturas mais “imediatistas” e outras orientadas para o longo prazo.

Aqui, e digo-o com convicção, o ADN do profissional português, aplicado em contextos multinacionais, é uma mais-valia. Temos uma capacidade de adaptação fantástica, somos muito orientados à inovação, somos muito orientados à aprendizagem linguística. Somos imbatíveis no improviso, em trabalhar de forma flexível e polivalente, na gestão de crises. Precisamos de mais e melhores empresas verdadeiramente globais – com um modelo de organização adaptável e transnacional.

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