O Clube de Produtores do Continente (CPC) estabeleceu uma ‘Declaração para a sustentabilidade’, que tem um prazo de execução de três anos, que é baseada em 11 princípios e em várias iniciativas e que visa «promover a produção e consumo sustentáveis e um sistema alimentar que respeita o ambiente». Segundo o Continente, esta iniciativa está alinhada com o 12.º objectivo (produção e consumo sustentáveis) dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, bem como com a estratégia europeia “Do prado ao prato” (sistema alimentar justo, saudável e respeitador do ambiente) e o Roteiro para Neutralidade Carbónica 2050 (RNC2050) do Ministério do Ambiente e da Transição Energética.
A iniciativa foi dada a conhecer no âmbito do Dia da Gastronomia Sustentável – que se celebra hoje, 18 de Junho – e já foi apresentada aos 256 produtores nacionais membros do CPC. Com esta declaração, pretende-se «ajudar os produtores a cumprir as metas traçadas pela Comissão Europeia, pelo que o Clube de Produtores Continente passa a considerar o cumprimento deste acordo como um dos critérios importantes no processo de decisão de compra», afirma Ondina Afonso, presidente do CPC.
Em comunicado, o Continente refere um dos projectos em curso, a acção piloto do CPC intitulada “Searas de trigo com biodiversidade: salvemos a águia-caçadeira”, cujo objectivo é a conservação desta espécie e na qual se valoriza o contributo das searas de trigo para a preservação de diversas espécies ameaçadas de extinção, sendo realizada em parceria com a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC) e o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio). De acordo com Ondina Afonso, «o Continente está preocupado com a biodiversidade e este projecto terá grande impacto na conservação de aves em extinção, sendo que a farinha que utilizamos em todas as nossas padarias das lojas Continente provém de trigo produzido nestas searas».
O comunicado do Continente realça ainda que 29 produtores do CPC já aderiram à certificação “Resíduo Zero”, relativa a «frutas e legumes livres de resíduos e em que são salvaguardados princípios de uso eficiente de recursos, menor consumo energético, menores emissões e maior controlo sobre aspectos microbiológicos, fundamentais no que respeita à segurança alimentar e integração com o meio ambiente, garantindo a sustentabilidade de todo o sistema agrícola». A presidente do CPC explica que o objectivo é garantir hortofrutícolas nacionais de resíduo zero nas lojas Continente e que, «neste momento, já estão afectos ao projecto cerca de 780 hectares produtivos», acrescentando que, «este Verão, já teremos nas nossas lojas Continente melão verde, melão branco e melancia certificados com esta certificação Resíduo Zero».
No ano passado, através do Clube de Produtores Continente, a Sonae MC comprou à produção nacional 206.000 toneladas de produtos, o que significa um crescimento de 28% em relação ao volume adquirido em 2019. Este volume representou um valor total de 365 milhões de euros.
