No evento “Syngenta Inovação e Sustentabilidade”, que decorreu a 13 de Abril em Bruxelas, Bélgica, a empresa apresentou as soluções que disponibiliza aos agricultores e detalhou o trabalho que está a realizar no desenvolvimento de novas soluções. Este evento reuniu mais de uma centena de colaboradores e stakeholders de toda a Europa.

Em destaque estiveram as soluções e os serviços digitais da plataforma Cropwise, que abrange já 12 milhões de hectares e 48.000 agricultores na Europa, com a Syngenta a salientar que visam «facilitar a vida dos agricultores e melhorar a rentabilidade das suas culturas» e que ajudam a «tomar melhores decisões na gestão das culturas». Um dos serviços é o Cropwise Spray Assist, uma aplicação para smartphone que «ajuda a determinar, no prazo de sete dias, o melhor momento para aplicar produtos fitofarmacêuticos numa cultura, em função da meteorologia e do risco de ocorrência de pragas e doenças», mas que também «aconselha o tipo de bicos, dá recomendações sobre a calibração do pulverizador e sobre a ordem da mistura dos produtos no depósito» e permite ainda «registar o histórico das aplicações».

A empresa refere que é «líder em soluções biológicas para protecção das plantas, bioestimulantes e produtos para uso eficiente dos nutrientes» e que, «depois de um forte investimento em parcerias e aquisições de empresas terceiras», está agora «focada em investigação e desenvolvimento próprios no segmento dos Biológicos». Segundo Maria do Carmo Pereira (na imagem em cima), responsável pelo portfólio de soluções biológicas na Syngenta a nível global, «estamos a avançar na inovação através de novas tecnologias, diferentes modos de acção e formulações em larga escala».
Neste âmbito, «uma das novas tecnologias mais promissoras e que abrirá a porta a uma nova geração de bioestimulantes na Syngenta é o Micro-RNA, ou seja, pequenas moléculas que existem nas plantas, e noutros seres vivos, controlando a expressão dos genes e modulando o RNA mensageiro», explica a empresa. «O Micro-RNA pode ser extraído de uma planta e aplicado noutra planta/cultura agrícola para que esta expresse todo o seu potencial genético usando menos recursos», acrescenta.

A empresa também apresentou a «primeira variedade de trigo híbrido», designada X-Terra, que vai lançar este ano em França, com a Syngenta a garantir que estas variedades «são mais produtivas e têm melhor qualidade de grão do que o trigo convencional». «Graças ao seu sistema radicular mais forte, com 60% mais biomassa do que uma variedade convencional, o trigo X-Terra tem maior capacidade de absorver água e nutrientes nas camadas mais profundas do solo. A parte aérea da planta também é mais vigorosa, conferindo-lhe maior resistência às doenças e maior capacidade de competir com as infestantes. O enchimento da espiga é optimizado e o peso dos grãos é superior nas variedades híbridas», diz a empresa. A propósito deste anúncio, Anne Azam (na imagem em cima), directora-geral da Syngenta em França, comentou que «o trigo X-Terra surge após mais de uma década de investigação, permitindo aos agricultores produzir mais com menos factores de produção, garantindo rentabilidade e a preservação dos recursos naturais para as gerações futuras».
A empresa indicou igualmente que, para desenvolver produtos fitofarmacêuticos de forma mais rápida e dirigidos às necessidades dos agricultores, está a usar a abordagem MPO – «a ciência de resolução simultânea de múltiplos problemas» –, em que «os cientistas recorrem a motores de busca ultrapotentes com Inteligência Artificial [IA] incorporada, específicos da indústria química, para acelerar e melhorar o processo de investigação», nomeadamente tornando a triagem de potenciais novas moléculas «mais ágil e dirigida». De acordo com Martin Clough, responsável científico pelas áreas digital, de parcerias e sustentabilidade de protecção das culturas na Syngenta, «os modelos de IA geram estruturas moleculares completamente novas a partir do zero, que respondem a todos os requisitos em simultâneo, em apenas algumas horas, quando antes demorávamos meses». Martin Clough frisou ainda que «a IA, a ciência e a opinião dos agricultores, juntamente com a conectividade dos dados, são o futuro no desenvolvimento de novas moléculas».

Durante o evento, Jonathan Brown (na imagem em cima), director-geral da Syngenta na Europa, realçou que os agricultores europeus estão limitados pela falta de inovação nas ferramentas de protecção das plantas, perdendo competitividade no cenário geopolítico actual, de grande incerteza. «Desde 2019, foram retiradas do mercado europeu 89 substâncias activas e não foi aprovada nenhuma substância activa nova, enquanto o Reino Unido aprovou quatro e a Austrália aprovou 11 substâncias activas novas», referiu Jonathan Brown (na imagem em baixo, com participantes no evento oriundos de Portugal e Espanha), deixando o apelo de que a Europa se una e coloque os agricultores no centro das suas decisões.

A Syngenta assinala que apresentou «soluções inovadoras para responder aos problemas reais dos agricultores». Aponta ainda que está a reforçar «o seu papel como motor de inovação na Europa, integrando soluções digitais, químicas, biológicas e genéticas para uma agricultura mais sustentável», e que está a impulsionar a inovação «para enfrentar os desafios da agricultura europeia».