Projecto InovBlueValue visa gerar valor acrescentado a partir de mirtilos de refugo

Teve início em Janeiro último o projecto “InovBlueValue – Estratégia de valorização sustentável da cadeia de valor do mirtilo”, que visa «transformar os mirtilos de refugo em produtos de valor acrescentado, sustentáveis e com viabilidade industrial». Com conclusão programada para Dezembro de 2028, esta iniciativa é cofinanciada pelo Norte 2030, representa um investimento total de 877.624 euros (com cofinanciamento de 691.023 €), é liderada pela Green Factor e integra também o Instituto Politécnico de Bragança, o More CoLab – Laboratório Colaborativo Montanhas de Investigação e a Tecpan – Tecnologia e Produtos de Pastelaria e Panificação, Lda.

O projecto prevê o desenvolvimento de dois produtos principais: um extracto multifuncional rico em compostos bioactivos, com propriedades corantes e antioxidantes, com possibilidade de aplicação em pastelaria industrial; um snack sem glúten, enriquecido com pó de mirtilo e com o próprio extracto. Os promotores explicam que, tendo em vista o desenvolvimento destes produtos, «a equipa irá estudar diferentes categorias de mirtilos de refugo, optimizar os processos de extrapção e de estabilização do extrato, optimizar a produção do snack através da tecnologia de extrusão e, ainda, avaliar as suas características ao longo do tempo de prateleira».

Também está prevista a «validação do extracto em produtos de pastelaria, numa escala de produção industrialmente relevante». Segundo os promotores do InovBlueValue, esta iniciativa contempla ainda «acções de demonstração e disseminação de resultados, com o objectivo de reforçar a ligação entre o sistema científico e o tecido empresarial e promover a transferência de conhecimento para a indústria».

«A cultura do mirtilo em Portugal tem registado um crescimento significativo nos últimos anos. No entanto, uma parte relevante da colheita não cumpre os requisitos necessários para comercialização em fresco, sobretudo ao nível do estado de maturação e calibre. Dependendo das suas características, estes frutos são encaminhados para a indústria de transformação ou para a alimentação animal. Designados por mirtilos de refugo, representam perdas económicas para os produtores», referem. Neste contexto, dizem ainda, o consórcio reúne parceiros da academia e da indústria, combinando «competências complementares nas áreas de investigação, desenvolvimento tecnológico e aplicação industrial, essenciais para alcançar os objectivos definidos».

Tadeu Alves, administrador da Green Factor, entidade líder do projecto, salienta que «o InovBlueValue permite considerar os mirtilos de refugo não como uma perda, mas sim como uma matéria-prima com potencial para gerar inovação e novos produtos». «O objectivo é conferir valor acrescentado a um recurso encaminhado para alimentação animal, contribuindo, assim, para a sustentabilidade da cadeia de valor do mirtilo, conclui.

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