Estudo da Consulai sobre trabalho agrícola indica redução da mão-de-obra mas subida do valor gerado

No âmbito da celebração do seu 25.º aniversário, a Consulai apresentou o primeiro de uma série de estudos que a consultora está a desenvolver sobre «o impacto económico e territorial do sector agrícola». O estudo “Evolução do trabalho na agricultura em Portugal” é baseado em fontes estatísticas oficiais e indica que o emprego agrícola representa cerca de 5,2% do emprego total no país e que o volume total de trabalho desceu de mais de 430.000 (números do sector de há 30 anos) para aproximadamente 220.000 trabalhadores a tempo completo (em 2023), enquanto o valor gerado pelo sector subiu, «traduzindo um aumento significativo de produtividade», salienta a Consulai.

Segundo o estudo, «o número de pessoas empregadas estabilizou entre 165.000 e 180.000 nos últimos anos», sendo patentes «uma redução acentuada do trabalho familiar» – baixou mais de 60%, «evidenciando uma clara ausência de renovação geracional» – e «um crescimento do trabalho assalariado», o qual representava perto de 40% do total em 2023. Em 2023, o sector agrícola gerou um valor acrescentado bruto (VAB) de 3.362 milhões de euros (M€) com uma base laboral de 211.500 trabalhadores, face aos totais nacionais de 4,7 milhões de trabalhadores e 147.000 M€ de VAB.

Desde 2014, a percentagem de trabalhadores estrangeiros na força de trabalho agrícola quadruplicou e, nos últimos anos, superou os 40% dessa força. O estudo destaca que nenhum outro sector da economia nacional tem uma percentagem de mão-de-obra estrangeira tão alta e que, «em culturas intensivas e sazonais, a dependência de mão-de-obra estrangeira é crítica».

Por outro lado, 7,5% destes trabalhadores estrangeiros eram detentores de grau de ensino superior, enquanto apenas 2,7 dos trabalhadores portugueses tinham esse grau. Isto num contexto em que 81,5% dos trabalhadores têm só o ensino básico, deixando o sector muito abaixo da escolaridade dos restantes sectores da economia.

Na última década, a remuneração média agrícola passou de à volta de 660 euros por mês para quase 1.000 €/mês, o que constitui um crescimento de perto de 50% – mais rápido do que o da média da economia. Porém, este valor fica muito abaixo da média nacional, que é de 1.742 €/mês.

O estudo, que pode consultar aqui, confirma a tendência de envelhecimento da força de trabalho, com a idade média a passar de 46 anos em 1989 para 59 anos em 2023. Os acidentes de trabalho diminuíram perto de 20% entre 2014 e 2023, mas a taxa de mortalidade mantém-se alta (cerca de 0,19% dos acidentes resultaram em morte, uma das taxas mais elevadas dos sectores da economia), «sublinhando a necessidade de reforçar as condições de segurança no sector», refere a Consulai.

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