No contexto dos impactos causados no país pelas tempestades das últimas semanas, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera que «a mobilização dos recursos financeiros do Estado português é urgente e indispensável», e que esta deve ser feita «através do Orçamento do Estado, de forma a garantir uma resposta eficaz, solidária e abrangente». Em comunicado, a Confederação sublinha que «essa resposta deve contemplar todos os prejudicados, por estes fenómenos extremos e não apenas aqueles cujas propriedades e bens se localizam em áreas abrangidas pela declaração de situação de calamidade».
A CAP refere a estimativa oficial preliminar de mais de 775 milhões de euros de prejuízos causados nos sectores agrícola e florestal pela «devastação provocada pelos sucessivos fenómenos climáticos de extrema gravidade que atingiram o país nos últimos dias». As estimativas oficiais apontam para prejuízos de aproximadamente 500 M€ no sector agrícola e de cerca de 275 M€ no sector florestal e, realça a Confederação, prevê-se que este valor «possa ainda vir a aumentar à medida que o levantamento dos danos prossiga».
A CAP afirma que, «perante a dimensão desta catástrofe, é evidente que as verbas disponibilizadas pelos diferentes programas europeus são manifestamente insuficientes para responder às necessidades existentes». Assim, defende, «é imprescindível assegurar uma resposta financeira robusta, que permita cumprir dois objectivos fundamentais: a reposição da capacidade produtiva, estratégica e indispensável para o país, e o ressarcimento dos prejuízos sofridos pelos muitos milhares de agricultores e produtores florestais de todo o território nacional».
Para a Confederação, «a resposta a esta crise deve ser assumidamente nacional, assente num compromisso político claro que assegure a alocação plena e célere dos recursos financeiros necessários para apoiar os agricultores, produtores florestais e o futuro da produção nacional». No comunicado, a CAP informa ainda que já solicitou, «com carácter de urgência», reuniões com o Governo e com os partidos políticos com representação parlamentar.