A Macfrut, feira internacional dedicada à fileira hortofrutícola, iniciou ontem, terça-feira, 21 de Abril, a sua edição de 2026 sob os melhores auspícios. O primeiro dia do evento contou com um programa intenso, onde se destacaram momentos institucionais de relevo e debates técnicos focados nos dois produtos emblemáticos desta edição: a manga e o abacate.
No âmbito do fórum Mango & Avocado Next, especialistas debateram as propriedades nutricionais e as novas tecnologias de processamento. Arrigo Cicero, professor na Universidade de Bolonha, apresentou estudos que confirmam o impacto positivo destes frutos no metabolismo lipídico e na redução de factores de risco cardiovascular, sublinhando, contudo, a necessidade de um consumo equilibrado numa dieta saudável.
No campo industrial, foram apresentadas soluções de vanguarda para prolongar a vida útil dos produtos processados (como polpas e sumos) sem recorrer a tratamentos térmicos agressivos. Técnicas como o plasma frio, ultra-sons e a utilização de ozono foram apontadas como o caminho para manter as características organolépticas e nutricionais dos frutos frescos.
Mercado global da manga em expansão
Philippe Binard, Director-Geral da Freshfel Europe, revelou dados impressionantes sobre o sector: a produção mundial de manga ultrapassa já os 60 milhões de toneladas, reflectindo um crescimento de 50% nos últimos 15 anos.
«As importações europeias de manga cresceram 110% no mesmo período, atingindo as 444.500 toneladas em 2025», afirmou Binard.
Apesar de a Índia ser o maior produtor mundial, o México lidera as exportações globais. No mercado europeu, o Brasil mantém uma posição central, sendo responsável por 80% do volume exportado para o continente.
República Dominicana e Peru em destaque
Um dos momentos altos do dia foi a inauguração oficial dos pavilhões da República Dominicana e do Peru. Patrizio Neri, presidente da Macfrut, acompanhou as comitivas diplomáticas no corte da fita.
Anibelca Mena, vice-ministra do Desenvolvimento Agro-industrial da República Dominicana, destacou que o país não vive apenas do turismo: «Cada produto que aqui apresentamos representa a nossa nação. Queremos mostrar ao mundo a qualidade da nossa agricultura». Na mesma linha, o embaixador Rafael A. Lantigua Ciriaco reforçou que, apesar da dimensão territorial reduzida, o país está na vanguarda da produção de abacate e banana.
Pela primeira vez com presença oficial no certame, o Peru focou a sua participação na promoção das pequenas cooperativas agrícolas. O embaixador Manuel Cacho-Sousa reiterou o objectivo de estabelecer contactos directos entre os pequenos produtores de manga e os canais de distribuição internacionais, sublinhando a importância social do sector, que sustenta milhares de famílias peruanas.
A feira prossegue nos próximos dias com uma agenda preenchida por reuniões de negócios e demonstrações de maquinaria agrícola de última geração.
A nossa revista tem estado atenta às novidades apresentadas aqui em Rimini, Itália, e contará tudo na próxima edição.