Processo desenvolvido no projecto de economia circular PlaCarvões recebe patente

No âmbito do projecto “Placarvões – Solução inovadora para o problema dos plásticos sujos, agrícolas e urbanos”, foi desenvolvido um processo de produção de carvões activados a partir de plásticos presentes nos resíduos indiferenciados urbanos, plásticos agrícolas e plásticos descartáveis, usados na actividade agrícola. Foi atribuída recentemente uma patente para este processo, que «certifica uma invenção nova e que não é óbvia face ao já existente, à qual acresce a sua potencial aplicação industrial», refere um comunicado do consórcio responsável pelo projecto.

O projecto PlaCarvões decorreu no ano de 2018, no Alentejo, com financiamento do Fundo Ambiental. O consórcio envolveu a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA), a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), a GESAMB – Gestão Ambiental e de Resíduos (responsável pela gestão e exploração do Sistema Intermunicipal de Valorização e Tratamento de Resíduos Urbanos do Distrito de Évora, que produz cerca de 76.000 toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano) e a Universidade de Évora.

Segundo o consórcio, «este processo inovador contribui para que os resíduos de plásticos “sujos” sejam desviados dos aterros e, após a separação e recolha dos mesmos, em particular os agrícolas, originem um material poroso, o carvão activado, que será depois aplicado no tratamento das águas residuais, nomeadamente para a adsorção de poluentes como fitofármacos e outros». Também indicam que «o carvão activado tem diversas aplicações, nomeadamente a filtragem e captação de poluentes de meios líquidos e gasosos, podendo ser utilizado em efluentes agroindustriais e urbanos em unidades de pequena a média dimensão, de base local e regional, transformando um resíduo num produto de elevado interesse económico e ambiental».

O consórcio explica que, durante o período em que o projecto decorreu, foi construída uma unidade piloto para a produção de carvões activados e realizados vários testes e análises, quer aos percursores quer aos carvões activados produzidos, tendo também sido testada a capacidade de adsorção dos carvões produzidos. A equipa do projecto responsável pelo processo alvo de patente foi constituída por Teresa Batista (CIMAC), Telmo Rocha, Bárbara Tita (EDIA), Cátia Borges (GESAMB), Gilda Matos (GESAMB), Isabel Cansado (Universidade de Évora), Paulo Mourão (Universidade de Évora), João Nabais (Universidade de Évora).

De acordo com o consórcio, «o PlaCarvões aplica os princípios da Economia Circular na cadeia de valor dos plásticos, transformando resíduos de plásticos sujos num produto, o carvão activado, cujas necessidades nacionais são asseguradas na totalidade através de importações». «A quantidade de plásticos oriundos da agricultura é significativa. Por exemplo, na área de influência de Alqueva, em 2022, foi estimada em 2.300 toneladas/ano. Com o crescimento da área regada e ocupada por culturas permanentes, este volume poderá atingir as 4.500 toneladas/ano. O plástico usado é essencialmente (95%) plástico que não está enterrado e quase exclusivamente associado às culturas permanentes. Estas duas características são um importante factor para que se possa concretizar um modelo de recolha e de valorização deste material. Se somarmos a estes números os referentes ao ciclo urbano dos resíduos plásticos, facilmente se concluirá que a solução patenteada do PlaCarvões contribuirá para diminuir a quantidade de resíduos plásticos depositados em aterro, aproximando Portugal do cumprimento das metas europeias e, simultaneamente, irá criar valor através do desenvolvimento de um produto a nível regional e nacional, o carvão activado, em que o país é claramente dependente do mercado externo», sublinha o consórcio.

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