Lusomorango apresentou Plano de Gestão Ambiental 26-28 no VIII Colóquio Hortofrutícola

A Lusomorango – Organização de Produtores de Pequenos Frutos apresentou o seu Plano de Gestão Ambiental 2026-2028 durante o VIII Colóquio Hortofrutícola, evento que se realizou a 17 de Julho em São Teotónio e onde foram abordados «os principais desafios da agricultura portuguesa, desde a gestão da água e adaptação às alterações climáticas até à competitividade, inovação e políticas públicas necessárias para suportar o crescimento do sector». O VIII Colóquio Hortofrutícola decorreu sob o tema “Reconstruir, Produzir, Crescer: Ambição e Sustentabilidade”, integrado na programação da FACECO – Feira das Actividades Culturais e Económicas do Concelho de Odemira e foi promovido pela Lusomorango em associação com a Universidade Católica Portuguesa.

A Lusomorango define o seu Plano de Gestão Ambiental como «um projecto estruturante desenvolvido no âmbito do Programa Operacional 2026-2028, que pretende apoiar os produtores associados na adaptação às crescentes exigências ambientais, regulamentares e de mercado». Este projecto prevê a avaliação integrada da pegada de carbono (ISO 14067), da pegada hídrica (ISO 14046) e da pegada ecológica, «permitindo construir uma visão abrangente do desempenho ambiental das produções agrícolas», explica a OP.

Entre os objectivos definidos figuram «a redução das emissões associadas à produção e logística, a melhoria da eficiência hídrica, a redução da utilização de fitofármacos e fertilizantes, o reforço da resiliência das culturas às alterações climáticas, a promoção da biodiversidade, o incentivo à economia circular e a preparação da Lusomorango para alcançar certificações ambientais internacionalmente reconhecidas». O Plano também prevê «a criação de um Índice de Sustentabilidade, que permitirá consolidar indicadores ambientais, sociais e económicos, funcionando como instrumento de acompanhamento e melhoria contínua».

Na apresentação do Plano, Bruno Caldeira, director de Desenvolvimento de Negócio da Consulai, salientou que o objectivo é disponibilizar aos produtores ferramentas que lhes permitam medir, conhecer e melhorar continuamente o seu desempenho ambiental – «O Plano nasce para ajudar os produtores a prepararem-se para uma realidade em que há mais conhecimento, mais medição daquilo que é produzido, mas também para identificar oportunidades de melhoria e de transformação» – e que esta iniciativa tem uma «dimensão colectiva – «Muitos associados sabem o que é um plano de gestão, pois têm um. Aqui, o desafio é ser conjunto». Segundo a Lusomorango, «a grande quantidade de informação produzida será trabalhada e partilhada com produtores e outras entidades que necessitam dela, criando uma importante economia de escala».

A OP assinala que este plano «surge como resposta aos principais desafios que hoje se colocam ao sector dos pequenos frutos, entre os quais a escassez de água, as alterações climáticas, a redução do uso de fitofármacos, a economia circular, a redução das emissões de gases com efeito de estufa e a necessidade de responder às exigências de clientes, consumidores e regulamentação europeia». Menciona ainda que o Plano pretende posicionar a OP como uma «referência europeia em sustentabilidade» e que se trata de uma «estratégia que quer transformar a produção de pequenos frutos».

Na abertura do Colóquio – que reuniu representantes do Governo, da autarquia, da academia, de empresas, de organizações do sector e produtores de pequenos frutos –, o presidente da Lusomorango, Loïc de Oliveira, referiu que a agricultura portuguesa enfrenta «desafios cada vez mais complexos», exigindo uma «resposta conjunta» dos produtores, Estado e União Europeia, e que «o Plano de Gestão Ambiental da Lusomorango é mais uma resposta à necessidade de preservação da biodiversidade, sustentabilidade e aumento da resiliência da actividade».

Loïc de Oliveira indicou que os agricultores continuam a investir em conhecimento, tecnologia e prevenção do risco, mas que existem desafios que não podem ser ultrapassados apenas pelo sector produtivo. «Precisamos de políticas públicas que promovam a gestão do risco. Precisamos de rever o sistema de seguros agrícolas. Precisamos de instrumentos que sejam financeiramente acessíveis e que respondam à realidade das produções agrícolas», disse, comentando também que os apoios se revelaram «insuficientes, tardios e em muitos casos inexistentes para responder à dimensão das perdas» causadas pelas intempéries de 2025 e 2026.

O presidente da Lusomorango apontou a água, a burocracia e as pessoas como «constrangimentos» que condicionam o crescimento da fileira. «É preciso concretizar a estratégia Água que Une, modernizar o Perímetro de Rega do Mira e garantir as interligações hídricas previstas para reforçar o abastecimento ao Sudoeste Alentejano. Sem água não existe agricultura. E sem agricultura não existe território», defendeu, apelando a uma Administração Pública «mais célere, capaz de responder aos investimentos do sector», bem como «políticas que garantam habitação, saúde, educação e integração» das pessoas que escolhem Portugal para viver e trabalhar.

Loïc de Oliveira lembrou ainda os resultados do estudo realizado pela EY-Parthenon sobre o impacto económico da fileira, sublinhando que, em 2025, os pequenos frutos geraram 1.037 milhões de euros (M€) de Valor Acrescentado Bruto (VAB), 398 M€ em exportações, mais de 34.000 postos de trabalho e 276 M€ em receita fiscal. Neste contexto, declarou que, «na Lusomorango, acreditamos profundamente que é possível produzir mais e melhor – com menos recursos, com mais conhecimento, e com maior respeito pelo ambiente –», acrescentando que «os agricultores são os primeiros guardiões da natureza. Vivem dela. Dependem dela. E sabem, melhor do que ninguém que proteger os recursos naturais é proteger o futuro da agricultura».

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