Fruta leva nome de Portugal mais longe

O Palácio Sousa Leal, que integra um núcleo de edifícios dos séculos XVI a XVIII, classificados de Imóvel de Interesse Público, na Rua de São José em Lisboa, foi cenário da terceira edição das Tertúlias Agronómicas, a 1 de Outubro.

Frutas de Portugal foi o mote para a conversa com os diferentes convidados. De salientar, a qualidade da fruta portuguesa como motivo de vendas internacionais e a sua capacidade de levar mais longe o nome das regiões, e do País, a que pertencem.

José Pinto Castello Branco, presidente da Cerfundão, representou nesta primeira tarde de Outubro a Cereja da Cova da Beira, e destacou que «há 15 anos ninguém conhecia o Fundão e hoje toda a gente conhece o Fundão por causa da cereja».

Horácio Ferreira, director-geral da Cacial – Cooperativa Agrícola de Citricultores do Algarve, referiu que «existem mercados internacionais que procuram os citrinos do Algarve por não terem tratamentos como se faz noutros países, nomeadamente Espanha, onde as laranjas são água e açúcar. As nossas têm ainda acidez, o que faz toda a diferença».

As características de doçura e aroma foram também relacionadas com o sucesso da pêra Rocha além-fronteiras. «Mais de 60% da produção de pêra Rocha é exportada. A influência mediterrânica e atlântica confere-lhe características únicas, o que é muito apreciado lá fora», proferiu Domingos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP).

A castanha transmontana esteve representada nas Tertúlias Agronómicas por Carmen Santos. A investigadora do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (Iniav) disse que «o interesse pela castanha tem aumentado em Portugal, embora o seu consumo ainda seja muito em fresco. Não muita tradição dos sub-produtos». A castanha pode ser aproveitada na indústria da cosmética e alimentar para confecção de bolos, compotas, bolachas. «Já há alguns exemplos em Portugal», afirmou Carmen Santos, cujo trabalho passa por investigar e encontrar soluções para as doenças que afectam os soutos portugueses.

A fruta é também um elo importante nas economias locais, como destacou Jorge Dias, director-geral da Empresa de Gestão do Sector da Banana (Gesba): «A banana [da Madeira] é extremamente importante para a economia regional».

A música marcou mais um vez o arranque das Tertúlias Agronómicas. João Afonso, acompanhado por Rogério Pires, entoou algumas canções, entre elas o poema Carteiro em Bicicleta que integrou um livro dos CTT – Correios de Portugal sobre carteiros.

João Afonso e Rogério Pires
João Afonso e Rogério Pires (Foto de Pau Storch)

O Palácio Sousa Leal é propriedade dos CTT, entidade que no dia 1 de Outubro apresentou oficialmente uma nova edição de selos designados Frutas de Portugal, um projecto desenvolvido em parceria com a TerraProjectos – Consultoria, Marketing e Design Agro-alimentar.

Raul Moreira, director de Filatelia dos CTT «uma edição muito bem aceite, que nos encheu de orgulho, este em particular porque foi trabalho em conjunto com a TerraProjectos». O director executivo da empresa que actua no sector agro-alimentar, também director da Frutas, Legumes e Flores, João Pereira, comentou no evento que: «a TerraProjectos sonhou, o departamento de Filatelia dos CTT acreditou e a Emissão Frutas de Portugal está, agora, oficialmente nas ruas».

Vítor Andrade, coordenador de economia do semanário Expresso, reconheceu o mérito da ideia de fazer selos com frutas de Portugal, mas criticou o facto de vir «tão tarde», num período de «desmaterialização», em que já não se mandam tantas cartas, nem se usam tantos selos.

Após a sessão oficial e o debate em torno da importância da fruta e da agricultura, seguiu-se uma degustação de fruta e produtos inspirados em cada um dos seis frutos que compõe os selos, nomeadamente: cereja da Cova da Beira, banana da Madeira, pêra Rocha, citrinos do Algarve, castanha de Trás-os-Montes e ananás dos Açores.

O lanche foi também uma oportunidade de conhecer algumas empresas, autarquias e associações que trabalham estes produtos, tal como a Lusopêra, Cooperfrutas, Cacial, Frusantos, Luís Vicente, Nuvifruits, Frutaformas, Pro-frutos, Câmara Municipal do Fundão, Desidrata, Sweet Castanea, Vários Sabores, Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, Compal e restaurante Alma Grão.

Foto de Pau Storch

 

 

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