No primeiro semestre de 2026, as exportações portuguesas de frutas, legumes, flores e plantas ornamentais desceram 3,5% em valor e 5,9% em volume, face ao período homólogo de 2025. Por sua vez, entre Janeiro e Junho de 2026, as importações subiram 4,2% em valor e 2,8% em volume em comparação com os primeiros seis meses do ano passado, agravando o défice comercial do sector.
Estes são dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados pela Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal e divulgados hoje, 13 de Agosto, pela associação. Segundo estes dados, as vendas para os mercados externos no período referido somaram 1.226 milhões de euros (M€) e o volume de exportações totalizou 747.000 toneladas (t).

A Portugal Fresh refere que «a balança comercial do sector das frutas, legumes e flores agravou-se, ultrapassando os 300 M€ de défice – mais do que os 197 M€ registados no período homólogo de 2025 e quase o dobro do défice de 2024 (178 M€)». De acordo com a associação, «este decréscimo está relacionado com os graves prejuízos causados pela sequência de tempestades que assolaram o país (Ingrid, Joseph e Kristin) e resultaram em culturas destruídas, estufas danificadas e sistemas de rega inutilizados».

A Portugal Fresh salienta que «já tinha alertado para as consequências previsíveis do comboio de tempestades, que levaram a uma menor disponibilidade de produto com destino aos mercados internacionais e, consequentemente, uma quebra nas exportações, visível neste primeiro semestre». «Os números do primeiro semestre já eram esperados, uma vez que resultam, sobretudo, do impacto das tempestades que atingiram o país no início do ano e, naturalmente, de avultados prejuízos para os produtores, tendo em conta as ajudas mínimas por parte da União Europeia e do Governo. Preocupante é também o agravamento da balança comercial, que ultrapassou os 300 M€», diz Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh.

A propósito destes dados, a associação afirma que «este é um ano muito desafiante para os produtores e exportadores do sector agroalimentar nacional, também devido à falta de apoio, sobretudo, quando comparado com o principal mercado concorrente – Espanha –, que recebeu apoios aos fertilizantes e gasóleo agrícola para colmatar o impacto da guerra do Médio Oriente». «O nosso principal destino de exportação é Espanha que, dos 1,2 mil milhões exportados no 1.º semestre, pesa 37% do total (446 M€). Espanha é também o nosso principal abastecedor de frutas, legumes e flores: comprámos o equivalente a 870 M€, que representam 57% das importações (totalizam 1,5 mil milhões de euros). Contas feitas, a balança comercial com o nosso principal cliente internacional é negativa em mais de 400 M€. Se já é desafiante competir no palco global, no mercado ibérico está a ficar praticamente impossível», salienta Gonçalo Santos Andrade, acrescentando que «os nossos custos também cresceram muito devido à guerra do Médio Oriente», que «concorremos com ferramentas financeiras muito diferentes dos produtores espanhóis» e que, entre os dois países, «a diferença de apoios ao sector é abismal».

A Portugal Fresh declara que, apesar deste recuo no primeiro semestre, «olha para o segundo semestre com confiança». «Ultrapassado o período mais crítico das intempéries, a associação acredita que a produção nacional reúne condições para retomar o seu ritmo habitual. As exportações têm margem para recuperar até final do ano, sustentadas pela qualidade reconhecida dos produtos portugueses e pela procura que se mantém nos principais mercados de destino: Espanha, França, Países Baixos, Alemanha e Reino Unido. A associação mantém-se, assim, optimista quanto ao balanço final de 2026 para o sector das frutas, legumes e flores», defende a Portugal Fresh. Neste contexto, Gonçalo Santos Andrade realça que «acreditamos que é possível atingir novamente 2,6 mil milhões de exportações registadas em 2025 até final do ano».