Confederações pedem medidas contra roubos de postos de transformação

A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri) lançaram, de forma separada, alertas sobre o aumento de roubos de postos de transformação em explorações agrícolas. As duas entidades exigiram que as autoridades tomem medidas urgentes relativamente a este problema.

Em comunicado, a CAP indica que «tem vindo a receber das suas associadas, ao longo dos últimos meses, sobretudo nas últimas semanas, informações preocupantes sobre uma vaga de furtos de postos de transformação de electricidade em propriedades situadas especialmente nas regiões do Ribatejo e do Alentejo», sendo que «os roubos têm como objectivo a retirada de cobre existente nestes equipamentos para posterior revenda». A entidade refere que «este flagelo tem-se intensificado nas últimas semanas», mas que, só no último ano, de acordo com os registos reportados à CAP, se verificaram «mais de uma centena de roubos», com a estimativa de «mais de um milhão de euros» de prejuízos neste período.

«Os postos de transformação, que servem os sistemas de rega das explorações agrícolas e que são essenciais para o fornecimento de energia às habitações que se localizam nestas propriedades, ficam inutilizados, obrigando a que os custos de reparação tenham de ser totalmente suportados pelos agricultores, o que resulta em graves prejuízos para a sua actividade. Devido à enorme frequência destes furtos, as companhias de seguros não aceitam segurar os postos de transformação, incorrendo os agricultores, por conseguinte, em caso de roubo, numa perda total do valor investido. De referir que, para além deste prejuízo, há ainda que ter em consideração as avultadas perdas que decorrem da impossibilidade de rega das culturas enquanto o equipamento não é substituído», explica a CAP. A confederação defende que «só uma acção concertada entre as autoridades e as organizações de agricultores poderá garantir a segurança do mundo rural, factor determinante para o desenvolvimento das actividades agrícolas e para a permanência das populações».

Neste contexto, e «para resolução do problema», a confederação «exige uma acção empenhada e coordenada do Estado», com três vertentes. Uma das vertentes é «aumentar a vigilância e a presença das forças de segurança no mundo rural». Outra consiste em «reforçar a fiscalização junto de receptores e criando mecanismos que permitam rastrear a venda deste material roubado que alimenta o comércio paralelo e cujos proveitos alimentam outros negócios ilícitos». A terceira vertente é «agravar a moldura penal para estes crimes, eliminando a impunidade que existe actualmente».

Por sua vez, a Confagri enviou ontem, 28 de Fevereiro, uma carta ao ministro da Administração Interna, José Luís Carneiro, «apelando a que se dê máxima prioridade à resolução deste grave problema». Em comunicado, a entidade diz que tomou esta iniciativa devido à «falta de resposta aos furtos nos postos de transformação que têm ocorrido em inúmeras explorações agrícolas de norte a sul do país», que a situação «tem vindo a piorar nos últimos meses» e que «não pode ser mais ignorada, como se os agricultores não estivessem já sujeitos a inúmeras dificuldades».

A Confagri frisa que «é preciso que o Ministério da Administração Interna tome as medidas necessárias para que exista um patrulhamento efectivo nas zonas rurais, bem como desenvolver mecanismos dissuasores deste tipo de crimes». A propósito deste assunto, Nuno Serra, secretário-geral da Confagri, afirma que a entidade «está inteiramente disponível para colaborar no que for necessário, de forma a encontrar uma solução rápida e eficaz que ponha um travão a estes graves acontecimentos, que não só colocam em causa a produção das explorações furtadas, como acarretam um custo avultado para os agricultores, que têm de proceder a reparações ou substituições dos equipamentos». «Não nos podemos esquecer que cada vez é mais difícil obter seguros que cubram este tipo de perdas, o que leva a que a totalidade destes elevados custos fiquem por conta do agricultor, o que, na grande maioria dos casos, é uma parte considerável do seu rendimento», salienta Nuno Serra. A Confagri juntou à carta «dezenas largas de fotografias, de todo o país, com o intuito de comprovar todos estes actos ilícitos».

[As imagens aqui apresentadas são algumas das muitas partilhadas por diversos agricultores no grupo de Whatsapp Anpromis_Informa]

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