Comissão apresenta projecções para a agricultura na União Europeia até 2030

Segundo o “Relatório Prospectivo da Agricultura na União Europeia 2020-2030”, apresentado pela Comissão Europeia a 16 de Dezembro, «a consciencialização crescente do consumidor e a conveniência vão beneficiar o sector das frutas e legumes, resultando num aumento da procura». Outra das conclusões do estudo – que se foca nos mercados das culturas temporárias, da carne e dos produtos lácteos e das culturas «especializadas»: vinho, frutas e legumes, azeite – é que, «nos próximos dez anos, a digitalização vai ser crucial para o sector das culturas temporárias, suportando ganhos de produtividade, condições de trabalho melhoradas e standards ambientais mais elevados».

O “Relatório Prospectivo da Agricultura na União Europeia 2020-2030” prevê que, no período referido, a queda no consumo de vinho «pode abrandar graças à adaptação do sector às mudanças nos estilos de vida e às preferências dos consumidores» e que as exportações de azeite e o seu consumo em países não produtores deverão subir. Projecta-se que a produção de maçã da União Europeia (UE) deve manter-se estável, com aumento de produtividade mas redução de área. Nos pêssegos e nectarinas, o consumo na UE deve descer, em parte pela concorrência de outras frutas de Verão ou tropicais, e as exportações deverão subir, em especial de pêssego transformado, devido ao aumento global da procura.

A produção de laranja da UE deverá crescer ligeiramente graças a incrementos de produtividade, os consumidores deverão preferir laranja em fresco e sumos naturais – em vez de concentrados, levando a uma redução da procura de laranja para transformação – e as importações da UE de laranja deverão aumentar para suprir a procura. Quanto ao tomate fresco, estima-se um decréscimo da produção devido à forte concorrência internacional e ao incremento na procura de variedades de dimensões mais reduzidas – o que resultará numa redução no volume mas num aumento do valor acrescentado –, enquanto que o consumo de tomate processado deverá manter-se estável no período 2020-2030, com uma mudança similar no sentido de produtos com maior valor acrescentado.

O relatório também concluiu que a crise gerada pela covid-19 levou ao «reforço de algumas tendências pré-existentes – com um aumento da procura por alimentos de produção local, cadeias curtas de abastecimento e vendas online» – e que entre os principais factores que determinam as escolhas dos consumidores figuram as preocupações com a saúde, a origem, o ambiente e as alterações climáticas. Este documento traça alguns cenários para a recuperação da pandemia e os seus impactos nos mercados, marcada por alguma incerteza e por variabilidades entre fileira, inclui um cenário em que se recorre a insectos para reduzir o desperdício alimentar.

São ainda contempladas no relatório – cujo conteúdo foi debatido na edição de 2020 da Conferência Prospectiva da Agricultura na União Europeia, realizada em formato online a 16 e 17 de Dezembro – projecções e indicadores a nível do rendimento agrícola, da mão-de-obra e de aspectos relativos ao ambiente e ao clima. Estima-se que, no período 2020-2030, o rendimento agrícola aumente graças a um incremento na produção e nos preços, mas que, como os custos deverão crescer a um ritmo similar, o rendimento líquido seja limitado a 1% por ano. Por fim, prevê-se uma redução de 1% ao ano na mão-de-obra agrícola, devido aos avanços em termos de maquinaria e equipamentos.

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