Anipla traça desafios para futuro regulamento da União Europeia sobre uso de produtos fitofarmacêuticos

A propósito do anúncio da decisão da Comissão Europeia de retirada oficial da sua proposta de Regulamento do Uso Sustentável dos Produtos Fitofarmacêuticos (RUS), a concretizar-se no dia 31 de Março, a Associação Nacional da Indústria para a Protecção das Plantas (Anipla) sublinha que «é urgente que qualquer directiva ou regulamento abrace a inovação e a tecnologia, como parte de um diálogo saudável sobre a agricultura nacional e europeia». A Anipla realça também que, no futuro, «é importante não repetir os erros de negociação desta proposta, agora retirada, nomeadamente o não envolvimento de todos os parceiros do sector nas negociações, bem como a ausência de um real e abrangente estudo de impacto das medidas propostas, a nível europeu», e solicita que, no caso do país, se tenha em conta «o contexto mediterrânico/atlântico no qual Portugal se insere».

«Apelamos a que a União Europeia olhe para as especificidades da agricultura neste território e que, na próxima legislatura, aborde este tema de modo a criar um enquadramento regulamentar que permita a disponibilização de novas tecnologias, novos produtos de protecção das culturas e ferramentas de biotecnologia, que contribuam para o aumento da competitividade dos nossos agricultores. Acima de tudo, um regulamento que permita uma verdadeira adaptação às alterações climáticas e que fomente a coesão territorial», afirma João Cardoso, director executivo da Anipla. A associação indica também que «reforça o seu apoio para com o sector e profissionais agrícolas, neste caminho de transição para práticas agrícolas mais sustentáveis e resilientes», que «sempre apoiou os objectivos do Pacto Ecológico Europeu», que «está empenhada em manter o seu compromisso» e que «o Regulamento do Uso Sustentável representava uma oportunidade para disponibilizar novas e importantes ferramentas aos profissionais do sector».

Segundo a Anipla, que representa as empresas que investigam, desenvolvem, fabricam e comercializam produtos fitofarmacêuticos, «os relatos dos agricultores e as campanhas agrícolas recentes têm demonstrado um aumento preocupante da pressão de pragas, doenças e infestantes (quer novas, quer já existentes), desafiando, cada vez mais, os produtores, nacionais e europeus, a terem disponíveis meios de controlo destes agentes». Neste contexto, a associação recorda que levou a cabo um estudo que avaliou o impacto da retirada do mercado de cerca de 80 substâncias activas em cinco culturas – consideradas «mais representativas da agricultura portuguesa»: uvas para vinho, azeitonas para azeite, tomate de indústria, milho grão e pêra Rocha – e que «as conclusões, preocupantes, não deixaram margem para dúvidas: um impacto de cerca de 330 milhões de euros nas receitas anuais, que reflectem a cada vez maior falta de soluções de protecção das culturas a que os nossos agricultores têm acesso».

Em comunicado, a Anipla diz que «continuamos empenhados em promover um uso seguro e sustentável dos produtos fitofarmacêuticos», apresentando como exemplo disso «os dados que revelam o investimento da indústria na formação e sensibilização dos agricultores: só em 2023, a Anipla reuniu mais de 10.000 visitas à plataforma Smart Farm Virtual, numa clara demonstração das preocupações ambientais do sector agrícola, da sua procura constante por formação e informação na utilização segura e sustentável de produtos fitofarmacêuticos, bem como da sua elevada preocupação em adoptar e integrar, nas suas explorações, tecnologias digitais e de precisão». Assim, como declara o director executivo da Anipla, a associação vem «reforçar a mensagem de que o próximo regulamento ou directiva devem ser claramente abertos à inovação e à tecnologia, integrando num (verdadeiro) diálogo todos os parceiros, neste documento tão impactante na agricultura europeia e nacional».

A associação elenca ainda um conjunto de dados, relativos a «todos os avanços alcançados na última década sob o desígnio da Directiva do Uso Sustentável dos Produtos Fitofarmacêuticos». São eles «os 5.700 técnicos formados e acreditados para aconselhamento e venda de produtos fitofarmacêuticos e os 317.000 agricultores e operadores formados e acreditados para a aquisição e uso seguro e sustentável de produtos fitofarmacêuticos», com a Anipla a referir que o retorno disto «é verificado em diferentes indicadores, tais como os 30% de redução do uso de produtos fitofarmacêuticos face a 2011 (dados Eurostat) e o crescimento da taxa de retoma de embalagens vazias de produtos fitofarmacêuticos (Sistema Valorfito) para 57% em 2022».

Facebook
Twitter
Pinterest
LinkedIn
Email

Notícias Recentes

Alqueva
EDIA disponibiliza Anuário Agrícola de Alqueva de 2023
4a
Grow Field Days promove visitas de campo com foco no microbioma do solo
fig-972271_1280
Workshop “Figos para o Futuro: capacitar os pequenos produtores através do desenvolvimento de novos modelos de negócio”

Notícias relacionadas

Alqueva
EDIA disponibiliza Anuário Agrícola de Alqueva de 2023
A Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva (EDIA) disponibilizou...
4a
Grow Field Days promove visitas de campo com foco no microbioma do solo
No âmbito da iniciativa “Grow Field Days”, com o mote “De agricultor para agricultor!”,...
fig-972271_1280
Workshop “Figos para o Futuro: capacitar os pequenos produtores através do desenvolvimento de novos modelos de negócio”
O projecto InovFarmer.MED apresenta o seu primeiro workshop, focado na cadeia...
FLF 250_entrevista_porbatata
«Tem de haver uma maior partilha de risco»
As perpespectivas para a campanha, os problemas com a batata de semente e o...