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Estudo: características das vinhas influenciam potencial das aves no controlo de pragas

Segundo um estudo desenvolvido por um grupo de investigadores da Universidade de Évora, «as características das vinhas influenciam o potencial das aves como aliadas no controlo de pragas». Para os investigadores, os resultados do estudo «permitem aos vitivinicultores definir boas práticas, beneficiando os produtores mas também a biodiversidade».

Este estudo foi desenvolvido por investigadores de duas entidades da UE – o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) e o Departamento de Biologia –, no âmbito do projecto “Novas ferramentas para a monitorização e avaliação de serviços de ecossistemas em sistemas de produção tradicionais do Alentejo sujeitos a intensificação”, financiado pelo programa Alentejo 2020. De acordo com os resultados – divulgados recentemente num artigo publicado na revista Ecological Indicators –, as «vinhas de pequena dimensão rodeadas por paisagens heterogéneas estão potencialmente mais protegidas de pragas de insectos», porque «promovem uma maior diversidade funcional de aves».

«A heterogeneidade da paisagem junto às vinhas pode ser alcançada através da conservação de habitats ripícolas, sebes naturais, árvores, muros de pedra e edifícios rurais, e esta complexidade estrutural beneficia as comunidades de aves fornecendo alimento, abrigo e locais de nidificação, indica o investigador Rui Lourenço. Um comunicado da UE refere que «os índices de diversidade funcional são indicadores da composição das comunidades de aves, que se baseiam não só nas espécies presentes, mas também nas suas características (por exemplo, peso, estratégia de alimentação, local de alimentação e dieta)» e que «a diversidade funcional pode reflectir o potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves».

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As aves insectívoras comuns nas vinhas que apresentam maior potencial de controlo de pragas são o cartaxo-comum, a cotovia-comum, a cotovia-escura, a felosa-poliglota, o rouxinol-do-mato, a toutinegra-de-cabela-preta ou a poupa. Estas aves alimentam-se de lagartas, traças, escaravelhos, cigarrinhas e outros invertebrados, combatendo as pragas nas vinhas de forma natural, sublinha o comunicado.

Rui Lourenço assinala que «a diversidade funcional de aves foi mais elevada em vinhas pequenas rodeadas por paisagem mais diversificada com árvores», em comparação com vinhas de média dimensão rodeadas sobretudo por parcelas agrícolas ou com vinhas de maior dimensão e frequentemente rodeadas por outras vinhas. Assim, as vinhas de menor dimensão situadas em paisagens mais heterogéneas que incluam zonas arborizadas parecem ter uma maior biodiversidade funcional de aves, «facto que deverá estar associado a um maior potencial do serviço de biocontrolo fornecido pelas aves insectívoras», diz o investigador.

No estudo, as comunidades de aves foram amostradas utilizando pontos de escuta em 31 parcelas de vinha localizadas no distrito de Évora, «que representavam diferentes práticas de gestão e contextos de paisagem». Rui Lourenço explica que, nestes pontos de escuta, os investigadores detectaram a aves por audição e observação, «um método que permitiu contabilizar sobretudo as aves que estavam nas vinhas e com maior potencial de prestar serviços de controlo biológico, descartando as que estavam em habitats mais afastados».

O comunicado destaca ainda que «as vinhas são susceptíveis a diversas doenças e pragas causadoras de prejuízos consideráveis, verificando-se aqui várias espécies de insectos que podem tornar-se pragas, afectando principalmente as folhas e as uvas» – por exemplo, a traça da uva ou a cigarrinha-verde. A concluir, Rui Lourenço acrescenta que «as aves têm um grande potencial no controlo de pragas – porque muitas espécies são insectívoras, têm várias funções (por exemplo, variedade de habitats de alimentação e comportamentos) e são comuns na maioria dos habitats –», que «existem provas que as aves desempenham o serviço de biocontrolo em vinhas e noutras culturas» e que isso pode «facilitar uma agricultura mais biológica e com menor uso de químicos».

[ilustração: Rui Lourenço]




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