bactrocera

Universidade de Évora desenvolve novos dispositivos para combater mosca-da-azeitona

A Universidade de Évora anunciou ter desenvolvido três novos dispositivos para captura em massa de insectos voadores, em particular para limitação da mosca-da-azeitona (Bactrocera oleae), em todos os regimes de plantação de olival: tradicional, intensivo e superintensivo. De «funcionamento autónomo e activo», os dispositivos aguardam atribuição de patente europeia e «têm como objectivo capturar um elevado número de indivíduos da praga e reduzir significativamente a sua população e consequentemente o seu impacto nos olivais».

Estes três dispositivos foram concebidos de raiz por Fernando Rei, quando este investigador no MED – Instituto Mediterrâneo para Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento começou a estudar a forma de limitar a mosca-da-azeitona recorrendo a metodologias de captura em massa (ou captura massiva), em alternativa à luta química. Os dispositivos foram desenvolvidos no âmbito do projecto “A protecção integrada do olival alentejano. Contributos para a sua inovação e melhoria contra os seus inimigos-chave” – cofinanciado através dos programas Alentejo 2020, Portugal 2020 e pelo Feder –, da responsabilidade do Laboratório de Entomologia, com a colaboração dos Laboratórios de Engenharia Rural e de Mecatrónica, da Universidade de Évora.

Fernando Rei, que é professor do Departamento de Fitotecnia desta universidade, concebeu dois modelos de estações de captura massiva, com reduzida manutenção de funcionamento, de forma cilíndrica e de grandes dimensões (70×30 centímetros), dispostas verticalmente, possuindo as extremidades abertas, maximizando a circulação do ar no seu interior, tanto de forma passiva, promovida por convecção térmica, como activa, por acção de uma ventoinha no seu interior. «A abertura conjunta das suas extremidades inferior e superior faz destas estações de captura inovadoras, pois, usualmente, as armadilhas até agora disponíveis possuem aberturas de pequena dimensão, na sua base, na lateral e ou no topo do seu corpo», refere o também responsável pelo Laboratório de Entomologia da Universidade de Évora, acrescentando que a abertura superior das estações de captura que desenvolveu, com 30 cm de diâmetro e 6 cm de altura, permite «a libertação fácil e eficiente dos voláteis atractivos, ao redor da armadilha, a uma distância de pelo menos 10 metros, assim como a fácil entrada dos insectos a capturar, atraídos por esses voláteis».

Uma comunicado da Universidade de Évora assinala que, embora apresentem um desenho externo semelhante, as duas estações de captura são internamente distintas – com impacto na forma de retenção dos insectos no interior: uma possui um electrocutor (modelo ‘Electrocutor’), enquanto outra usa placas placas cromotrópicas amarelas adesivas (modelo ‘Adesivo’) –, verificando-se ainda diferenças quanto aos dispositivos electrónicos e eléctricos necessários para o seu funcionamento. O comunicado realça também «a diminuição do número de armadilhas necessárias por hectare, passando de 57 armadilhas do tipo Olipe para a utilização de apenas 11 a 12 destas estações de captura desenvolvidas pela Universidade de Évora». As armadilhas do tipo Olipe consistem no recurso a uma garrafa de plástico com capacidade de 1,5 litros, contendo no interior uma solução que emana compostos voláteis atractivos para os insectos adultos da praga, especialmente as fêmeas, com Fernando Rei a indicar que, colocadas em cada uma ou duas árvores, o seu uso em olivais intensivos e superintensivos (com cerca de 2.000 árvores por hectare) «acarreta um esforço logístico que inviabiliza a sua utilização prática».

O terceiro dispositivo de captura em massa desenvolvido foi a ‘Horizontal-tubular’, de dimensão mais reduzida e desenho mais simples do que as estações de captura – «possui igualmente uma forma inovadora, com um corpo externo tubular e um esqueleto em espiral ou linear, com cerca de 10 a 15 cm de diâmetro, que deve ser fixado horizontalmente, aos ramos periféricos da copa» – e que emprega emissão passiva dos voláteis. Com um comprimento de pelo menos seis metros, possui orifícios ao longo do seu comprimento, com diâmetros entre 20 e 30 mm, e no seu interior é colocada uma solução atractiva volátil, adicionada com insecticida, posteriormente disseminada pelos orifícios da armadilha, por onde entrarão os insectos atraídos, os quais são eliminados por ingerirem a solução atractiva com o insecticida. O comunicado menciona ainda que, devido à sua forma tubular flexível, a “Horizontal-tubular” «pode ser colocada ao redor das copas ou ao longo de cada linha de árvores, em olivais em regime de sebe (superintensivo)», e é necessário serem colocadas 30 armadilhas por hectare – «ainda assim em menor número do que as necessárias do tipo Olipe».




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