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Estudo aponta medidas para reduzir desperdício alimentar no retalho

Já estão a ser testadas nos supermercados da Sonae as cinco medidas propostas no relatório “A Recipe to Reduce Food Loss and Waste” para diminuir as perdas ao longo da cadeia de distribuição. O relatório resulta de um estudo desenvolvido pela consultora Boston Consulting Group (BCG), em parceria com a Sonae e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD).

Segundo um comunicado da BCG, «os resultados iniciais dos cinco projectos-piloto lançados para reduzir o desperdício de frutas e vegetais (áreas onde se verifica o maior desperdício), estimam que, alargando a escala, as medidas aplicadas permitiriam diminuir em um terço o desperdício ao longo da cadeia de abastecimento da Sonae». Isto significa que seriam desperdiçadas menos 12.000 toneladas de alimentos por ano» e que também poderia ser gerado «um valor de 10 milhões de euros por ano, entre poupanças e novas oportunidades de negócio, para os vários participantes na cadeia de abastecimento».

É ainda realçado que, se as medidas preconizadas fossem «aplicadas a todo o sector, podiam ser evitadas mais de 50.000 toneladas de desperdício alimentar todos os anos». O estudo envolveu cerca de 120 fornecedores da Sonae e «identificou 50 melhores práticas já adoptadas ou em estudo noutros países, tendo prioritizado cinco medidas para aplicar ao contexto nacional»:

1 – Como se concluiu que «cerca de 40% do desperdício se deve à rejeição por parte do retalho moderno de frutas e vegetais que não cumprem com os requisitos estéticos e de tamanhos ou calibres definidos», foi proposto «rever estes requisitos, tornando mais amplo o leque de produtos considerados aceitáveis, até pela exploração de outros nichos de mercado (como baby apples para crianças)».

2 – Face à conclusão de que «uma parte significativa dos alimentos nunca chega ao consumidor final pelo seu carácter altamente perecível», uma das soluções defendidas consiste em «criar unidades de desidratação para reaproveitar estes alimentos que podem ser consumidos secos».

3 – Promover o aumento das doações.

4 – «Criação de um marketplace onde os produtores podem mostrar os alimentos perecíveis que têm disponíveis e que, passado o ponto de utilização, podem ser usados para sumos, corantes naturais ou outros produtos processados».

5 – «A campanha “Demasiado Bom Para Desperdiçar”, que visa incentivar os consumidores a uma mudança de comportamento, procurando, por exemplo, peças soltas, sobre as quais habitualmente não recai a escolha».

Miguel Abecasis, Managing Director & Senior Partner da BCG Lisboa e coautor do estudo, afirma que este «prova que a adopção de práticas sustentáveis de redução do desperdício alimentar ao longo da cadeia de abastecimento do retalho são win-win, beneficiando tanto a população em geral, por um acesso gratuito ou a preços reduzidos a alimentos bons e perfeitamente adequados ao consumo em plenas condições de segurança e qualidade, como os próprios participantes na cadeia de valor». A BCG realça ainda que se estima que «todos os anos sejam desperdiçados cerca de um terço de todos os alimentos produzidos».

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