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InnovPlantProtect já está operacional

Constituído por cinco departamentos com actividades distintas, o novo laboratório colaborativo InnovPlantProtect (InPP) já está a funcionar há duas semanas, com sede nas instalações do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) em Elvas. Esta entidade vai desenvolver produtos e serviços para proporcionar ao sistema de produção de alimentos «soluções mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, económico e social, mais eficientes e mais atempadas», com recurso a novas tecnologias, num contexto de necessidade de produção alimentar, pressão de pragas e doenças sobre a agricultura e retirada de produtos químicos de síntese do mercado por «imposições legislativas», afirma um comunicado.

Por um lado, o InPP «desenvolve compostos não tóxicos de base biológica (biopesticidas) para controlar pragas e doenças para as quais não existem soluções no mercado e que afectam sobretudo as culturas permanentes e anuais estabelecidas em Portugal e noutros países com clima mediterrânico, como arroz, milho, trigo, tomate, vinha, olival e pera». O laboratório colaborativo indica que, «nesta fase de instalação», está a desenvolver «soluções para o controlo de doenças com características distintas»: Xyllela fastidiosa (bactéria que se instala nos vasos condutores das plantas lenhosas, atacando sobretudo o lenho das árvores de fruto); ferrugem amarela (que ataca o trigo e outros cereais); piriculariose (que ataca o arroz); estenfiliose (que ataca a pêra Rocha).

A entidade acrescenta que, «em breve», irá abordar também outras pragas: Drosophila suzukii (que afecta vários frutos); Diabrotica (lagarta que ataca as raízes do milho); traça da Guatemala (cujas larvas constroem galerias nos tubérculos da batata); percevejo marmoreado ou percevejo asiático (praga instalada nos Estados Unidos da América e que, na Europa, por exemplo em Itália, já causou «importantes estragos nas culturas). Segundo o InPP, «todas estas pragas e doenças são motivo de grande preocupação, porque não existe actualmente nenhuma planta resistente e os pesticidas que as poderiam controlar estão a ser retirados do mercado» – o que «acontece com mais incidência na Europa, mas começa também a acontecer nos EUA e noutros países» –, algo que se agrava com o aparecimento de novos problemas fitossanitários.

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Por outro lado, o novo laboratório colaborativo também vai utilizar a tecnologia da edição do genoma «para desenvolver variedades de plantas resistentes ao ataque de doenças», vai prestar serviços «que permitirão seguir a progressão de novas pragas e doenças» e vai «criar modelos que ajudem a prever, a diagnosticar e a monitorizar a evolução dessas pragas e doenças» – «por exemplo, quando é que eclodem e quando é que afectam as plantas». A entidade irá ainda desenvolver «métodos eficientes de diagnóstico de pragas que aparecem numa determinada exploração agrícola e para a quais ainda existem escassos serviços em Portugal», esclarece o comunicado.

Pedro Fevereiro, CEO do InPP, explica que «o InnovPlantProtect vai ter dois departamentos de informática», onde serão usados vários tipos de dados – climáticos, de satélite, de solo e locais –, «colhidos pelos próprios agricultores para aferir a presença ou ausência de determinadas pragas)», para «modelizar a progressão das pragas e, com isso, prestar um serviço de aviso e de diagnóstico». Para o biólogo, este serviço «permitirá aos agricultores, inclusive, escolherem a altura mais adequada para o tratamento e para a colheita – no caso de estar previsto o aparecimento de uma nova praga num período próximo».

O InnovPlantProtect é uma iniciativa da Universidade Nova de Lisboa, liderada pela unidade de investigação Green-IT do Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Nova, em cooperação com outras unidades de investigação da Nova (CTS FCT Nova, Nova LINCS, FCT Nova e MagiC Nova IMS), tendo como parceiros o Instituto de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), a Câmara Municipal de Elvas, a Bayer Crop Science, a Syngenta Crop Protection, a Fertiprado, o Centro de Biotecnologia Agrícola e Alimentar do Alentejo (CeBAL) a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC), a Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (ANProMis), a Casa do Arroz e a Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Legumes (FNOP). Estas instituições criaram uma associação privada sem fins lucrativos que tem como responsabilidade gerir o InPP. Pode consultar aqui um vídeo de apresentação desta entidade.

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