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CAP contesta cortes anunciados no apoio às medidas agroambientais

A propósito do corte nos apoios às medidas agroambientais, anunciado recentemente pelo Ministério da Agricultura, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) afirma que, «da análise dos números e através de um reforço entre medidas do programa, com destaque para o sector florestal, agora na esfera do Ministério do Ambiente, acredita ser ainda possível encontrarem-se soluções que permitam assegurar em 2020 a continuação dos apoios verificados em 2019 – e cujo pagamento tinha sido assegurado e garantido pelo anterior Ministro da Agricultura». Em comunicado, a CAP indica que participou ontem, 12 de Dezembro, juntamente com outras organizações representativas do sector agrícola, numa reunião no Ministério da Agricultura, «que serviu para informar sobre as alterações ao pagamento das medidas agroambientais, que sofrerão um corte na ordem dos 20 milhões de euros».

Para esta entidade, os cortes anunciados são «altamente lesivos dos interesses dos agricultores e da sociedade em geral» e esta constitui uma situação «prejudicial para a agricultura e para o ambiente». A CAP apresenta um exemplo: «num concelho como o de Mirandela, em Trás-os-Montes, região desfavorecida e fortemente marcada pela agricultura de pequena dimensão e reduzida capacidade produtiva, o corte atingirá cerca de 500 mil euros e irá afectar 270 agricultores».

A CAP diz que mantém a «disponibilidade para, juntamente com o Ministério da Agricultura, encontrar as melhores soluções que vão ao encontro das necessidades do sector» e que «permitam garantir o apoio a práticas agrícolas que visam a sustentabilidade dos ecossistemas». A entidade lança também um «apelo ao Ministério do Ambiente para a necessária articulação na busca da melhor solução».

A entidade considera que esta é uma situação «inaceitável», «prejudicando fortemente» os agricultores que mais se dedicam «a práticas agrícolas que visam a sustentabilidade e o equilíbrio dos ecossistemas naturais, atingindo sobretudo as zonas mais desfavorecidas e de pequena propriedade». Segundo a CAP, «numa época em que se pede à sociedade e aos agricultores esforços acrescidos no sentido de evoluirmos para a descarbonização da economia e diminuirmos a pegada carbónica, quaisquer cortes nos apoios às medidas que sustentam essas práticas terão resultados negativos, desencorajadores e destruidores de valor associado às práticas agrícolas e seus produtos».

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