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O futuro da agricultura está «em organizações fortes»

A Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (Aboro), em Ferreira do Alentejo, foi o local escolhido para a realização do 1.º Simpósio da Magos Irrigation Systems. O encontro teve lugar a 12 de Janeiro e contou com a presença de vários produtores alentejanos, sobretudo de melão e abóbora, as duas culturas que davam mote à conversa.

António Gastão, administrador da Magos Irrigation Systems, destacou que a empresa tem hoje várias sucursais – Salvaterra de Magos (sede), Trás-os-Montes, Algarve (em breve) e Beja – porque «quem rega, precisa de ter um técnico perto». À margem do evento, o mesmo responsável salientou que estas iniciativas são importantes para simposioMagos_2«estarmos junto do mercado, dizer ao mercado quem somos e que temos algo diferenciador, mas também ouvir o mercado. Saber o pensam fazer e como nos vêem para sabermos como nos posicionar».

A Magos Irrigation Systems comercializa os produtos da marca Rivulis, representada em Portugal por Ivo Tomé. Este apresentou diversos produtos da empresa, como as fitas de rega, gotejadores de parede fina, manga furada e filtro plástico de malha.

As possibilidades de financiamento à agricultura também foram abordadas. Pedro Janeiro, da Consulai, pormenorizou a medida 3.2.1, investimento nas explorações agrícolas. João Roberto, da Caixa de Crédito Agrícola de Ferreira do Alentejo, salientou que a instituição bancária tem na sua génese a agricultura e disse que a sua agência tem cinco milhões de euros disponíveis para financiamento de projectos. Por fim, Nelson Figueira, técnico da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, falou da portaria n.º2/2017, publicada a 2 de Janeiro, que estabelece os novos valores de apoio aos jovens agricultores. «Aguarda-se a abertura desta medida», disse. Nelson Figueira comentou ainda que todos os investimentos são verificados «e não sobre nada, a não ser a melhoria da capacidade produtiva». «Está muito difícil fazer projectos de investimento, actualmente», rematou.

O simpósio terminou com uma mesa-redonda constituída por dois produtores alentejanos: Manuel Reis (também presidente da Aboro) e Manuel Francisco Engrola. Ambos fazem agricultura recorrendo à água da albufeira de Alqueva. Manuela Francisco Engrola cultiva em Moura onde o preço da água ainda está na percentagem mais baixa. Mas o custo deste bem preocupa o agricultor. Manuel Reis comenta «que nos locais onde o preço da água já está a ser cobrado a 100%, verifica-se uma taxa de desistência elevada. É um custo muito pesado».

A esta dificuldade, os produtores juntam outras, como o elevado preço a que a terra está a ser vendida ou arrendada. Ambos defendem que o futuro da agricultura passa pelos agricultores se juntarem em «organizações fortes».

À Frutas, Legumes e Flores, António Gastão, disse «que a agricultura portuguesa está hoje mais profissional, mais dinâmica e com sentido crítico maior».




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