As infra-estruturas públicas de regadio em Portugal estão demasiado velhas e a precisar de intervenção. Este foi um dos temas centrais do III Congresso Nacional de Rega e Drenagem, organizado pelo Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e que decorreu no Instituto Politécnico de Beja, nos dias 19 e 20 de Maio, tendo como pano de fundo a "Sustentabilidade do Regadio".
Cerca de dois terços dos aproveitamentos hidrográficos públicos do Continente tem mais de 50 anos e já atingiu a vida útil de exploração, segundo um estudo apresentado no Congresso. Mais: grande parte dos aproveitamentos com menos de 50 anos já apresenta urgência de intervenção. Porém, falta dinheiro para reabilitar: a dotação orçamental para a acção do ProDeR relativa à sustentabilidade dos regadios públicos (1.3.6) foi de 21 milhões de euros, mas os projectos submetidos com prioridade de intervenção muito alta ascendiam a 25 milhões de euros. No congresso foram ainda divulgados dados sobre o decréscimo do regadio em Portugal: dos 650 mil hectares de 1989, passou-se para 422 mil hectares em 2007. E se estão a ser instalados 100 mil hectares de regadio novo, há 80 mil hectares antigos a precisar de reabilitação.
Outro estudo, da Escola Superior Agrária de Coimbra e da Universidade de Évora, refere que «a introdução da Taxa de Recursos Hídricos (TRH) representa um enorme desafio para a sustentabilidade económica da agricultura local», no âmbito dos novos regadios do Alqueva. Isto porque «o modelo produtivo tradicional praticado pelos agricultores não permite tirar partido» da competitividade agrícola que o Alqueva pode conferir. Contudo, «a adopção de novas tecnologias de produção permitirá contrariar esses efeitos negativos e assegurar a sustentabilidade económica» do regadio.
A implementação da TRH suscitou várias questões. Responsáveis da Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) indicaram que já está em prática na região. A excepção é o perímetro de rega de Monte Novo (Évora), inaugurado no início de Abril e que ainda não tem associação de regantes. Nos perímetros de rega do Alqueva, a TRH está diluída no "preço da água", não sendo discriminada na factura. Em 2010, os agricultores destes perímetros vão pagar apenas 30% do preço previsto por lei e a percentagem vai aumentar progressivamente até 2016, quando atinge os 100%. O ministro da Agricultura anunciou que os preços da água são de 4,2 cêntimos (rede primária), 8,9 cêntimos (rede secundária para fornecimento em alta pressão nas explorações agrícolas) e 5,3 cêntimos (fornecimento em baixa pressão) por m³. A taxa está em vigor desde 1 de Julho de 2008, em todo o território nacional. É aplicada no início do ano sobre os consumos efectuados no ano anterior e foi colocada em prática pela primeira vez em 2009.