Em Sever do Vouga, decorre de 28 de Junho a 1 de Julho a V edição da Feira do Mirtilo, que deverá trazer milhares de visitantes à cidade. A Capital do Mirtilo espera facturar 2 milhões de euros com a venda deste pequeno grande fruto já em 2016. Entrevista com o autarca do concelho, Manuel da Silva Soares.
Qual a importância da cultura do mirtilo na economia do concelho de Sever do Vouga?
A cultura do mirtilo tem vindo a tornar-se numa verdadeira alavanca para a economia local, tem apoiado a revitalização do sector agrícola que outrora foi forte na produção leiteira e na agricultura de subsistência. São dezenas o número de jovens agricultores que se têm dedicado à produção de mirtilo e de outros pequenos frutos. O investimento directo na produção e comercialização de mirtilo, só no concelho de Sever do Vouga, já ascende aos 3 milhões de euros e o volume de negócios só da comercialização ascende aos 587 mil euros, estimando-se que em 2016 ultrapassará os 2 milhões de euros.
Sever do Vouga quer atrair mais investidores à cultura do mirtilo?
Atualmente, Sever do Vouga possui cerca de 25 hectares, estimando-se atingir nos próximos dois anos os 35 hectares. No ano transato a produção total do concelho ascendeu às 120 toneledas, estimando-se que em 2013 e 2014 se ultrapasse as 500 toneladas anuais.
Quais os pontos-chave para dinamizar e melhorar a cultura do mirtilo?
É importante que as empresas que são responsáveis pela comercialização do fruto, tais como a Mirtilusa, Artur Arede - Quinta da Boucinha, BIOGRÊSSO e a Quinta da Remolha, apostem na qualidade e em novos mercados para garantir o escoamento do fruto a preços competitivos para o produtor. Do ponto de vista da Autarquia, continuaremos a fazer o nosso trabalho de retaguarda e de apoio à produção e promoção do mirtilo, dando continuidade ao trabalho que tem sido desenvolvido pela AGIM, a nossa associação de desenvolvimento local e que passa pelo apoio à elaboração de candidaturas ao programa PRODER, acompanhamento técnico agrícola durante os primeiros cinco anos de instalação do pomar, a organização de palestras e sessões de esclarecimento, a feira do mirtilo e elaboração de estudos de mercado que possam melhorar a competitividade das empresas locais.
De que modo pode Sever do Vouga ser competitivo face a outras regiões?
Como é sabido Sever do Vouga possui condições edafoclimáticas propícias à produção de mirtilo, pelo que a qualidade do mirtilo de Sever do Vouga é visível em vários aspectos, desde o calibre e rigidez da baga, tempo de conservação, a pruína (cera que cobre o fruto e que é muito importante para atestar a qualidade do mesmo), o sabor e a diversidade de variedades. Desta forma, e para atestarmos a qualidade do nosso mirtilo, estamos a ultimar a qualificação do "Mirtilo de Sever". Trata-se de uma certificação voluntária e que visa qualificar os nossos produtores colocando nas embalagens um selo específico de Sever do Vouga Capital do Mirtilo - "Mirtilo de Sever".
A Feira do Mirtilo vai para a quinta edição. É uma feira para o consumidor, mas também para interessados em investir na cultura?
A feira do mirtilo tem superado anualmente todas as expectativas em termos de visitantes. Nesta quinta edição estima-se receber cerca de 55 mil pessoas ao longo dos 4 dias do evento.
Quem nos visita são pessoas oriundas de todas as regiões do país, desde o Algarve, Lisboa e Vale do Tejo a Trás-os-Montes, são pessoas maioritariamente dos 25 aos 45 anos de idade e são consumidores, curiosos, técnicos, agricultores, de tudo um pouco. É uma feira que agrada às famílias pelas diversas atividades que decorrem no parque, pela diversidade de expositores e que também é dirigida aos profissionais devido ao enfoque na parte técnica que é dado nas palestras.
Nesta quinta edição quais os pontos altos da feira?
Os pontos altos são a palestra técnica que se realizará no dia 28 e que conta com a participação de empresas de renome a nível mundial tais como, a FRULAT, NUTRE, PLANASA (FALL CREEK), SPECIAL FRUIT e técnicos conceituados, tais como António Strecht da EDIBIO, Pedro Brás de Oliveira do INRB e Ana Fonseca da BIOBAGA. No dia 29, as pessoas terão oportunidade de participar numa sessão mais prática em que se abordará os seguintes temas: cuidados a ter para o sucesso de uma plantação de mirtilos, a vertente turística da produção de mirtilos e rentabilização em subprodutos, e a importância da certificação e do acondicionamento na comercialização. Nesta palestra os oradores serão Artur Arede da Quinta da Boucinha, Reinaldo Barnabé da Mirtilusa, Pedro Lobo da Quinta da Remolha e António Oliveira da Quinta do Moleiro da Costa Má.