O Prémio Nobel da Economia de 2001, veio hoje a Lisboa dizer que «as políticas de austeridade não são a resposta para crise económica que se vive na Europa» e que «mais austeridade pode resolver a próxima crise mas não resolve esta». Joseph Stiglitz, orador no Congresso da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição, a 18 de Janeiro, considera que «as reformas estruturais (em curso em alguns países europeus mais expostos à crise) não resolverão o problema da eurocrise e poderão enfraquecer a economia, porque enfraquecem a procura (dos consumidores)». O Nobel criticou medidas como as privatizações e o abaixamento de salários, dando como exemplo a conhecida flexibilidade laborar dos EUA, que não tem contribuído para aumentar o emprego (1 em cada 6 norte-americanos não tem emprego a tempo inteiro). O Nobel da Economia disse que o Banco Central Europeu «está a concentrar-se apenas na inflação e está a descurar outros pontos importantes para o crescimento económico» e que «a confiança (dos consumidores e das empresas) não será recuperada se não existir crescimento económico». Segundo Stiglitz, a injecção de dinheiro pelos Bancos Centrais nos bancos comerciais «não ajudou a restaurar a saúde da economia e os problemas dos bancos também não estão realmente resolvidos». O Nobel defende que países como Portugal, Grécia ou Irlanda sejam alvo de assistência financeira por parte das instâncias europeias, nomeadamente com novas facilidades de crédito às PME. «O Banco Central Europeu está a apostar no cliente errado», disse, exemplificando: «está a pôr o interesse dos banqueiros à frente dos interesses da Grécia».
Joseph Stiglitz antecipa que os défices públicos dos estados europeus «vão diminuir menos do que o previsto» (no acordo de Dezembro entre líderes europeus) e que «todo o dinheiro que está a ser investido (nos Estados-membros da Zona Euro) não será suficiente para resolver a crise».
O Nobel da Economia defendeu alternativas às políticas de austeridade, nomeadamente o aumento de impostos e aplicação dessa receita extra na economia, considerando que os Governos «têm a responsabilidade de criar pleno emprego».
Joseph Stiglitz é professor na Universidade de Columbia, nos EUA, antigo vice-presidente do Banco Mundial e actual presidente da Associação Económica Internacional.