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«Tivemos os melhores resultados de sempre»

Há menos de um ano à frente da Sociedade Instaladora dos Mercados Abastecedores (Simab), Rui Paulo Figueiredo faz um «balanço positivo» deste período e pormenoriza os objectivos do grupo. Aproximar-se da logística moderna, dar formação aos recursos humanos e promover os operadores internacionalmente são alguns deles.

Está na Simab desde Julho de 2016. Que balanço faz?

Acho que o balanço é positivo. Encontrámos um grupo muito orientado para a redução da despesa e da dívida. Nós demos continuidade a isso e até aprofundámos aquilo que é a boa disciplina orçamental e uma boa gestão dos dinheiros públicos. Ao mesmo tempo, tivemos a preocupação de reposicionar o grupo de um modo comercialmente mais agressivo. A conjugação dessas duas vertentes conduziu-nos a bons resultados. Também quisemos elaborar um plano estratégico que consubstancie isso. Passámos a ter um maior critério ao nível da disciplina orçamental.

Como descreve a performance financeira do último ano?

Nós diminuímos tudo o que gastámos em FSE [Fornecimentos e Serviços Externos] em cerca de 300.000 euros. Mas há áreas que implicam uma melhoria da qualidade do serviço em que nós aumentámos. Diminuímos muito a despesa operacional, aumentámos bastante a receita. Com isto, diminuímos a dívida em 6,8 milhões de euros que foi um excelente resultado. Em termos de resultado líquido também foi o melhor de sempre. Perto de 5 milhões de euros. Nós tivemos os melhores resultados de sempre – e aí o mérito tem de ser repartido com os meus antecessores.

Qual o valor actual da dívida e quando será paga?

Em 2016, ficámos com cerca de 60 milhões de euros de dívida. Há uma componente de cerca de 35 milhões de euros, que tem a ver com dívida ao Banco Europeu de Investimento. A dívida é bastante gerível. Estamos a libertar cashflow para amortiza-la com muita regularidade e em números avultados. Mesmo com o investimento que estamos a fazer, prevemos em 2017 abater mais 5 milhões de euros de dívida. Se continuarmos assim e tudo correr bem, no prazo de 10 anos seremos um grupo de empresas sem qualquer endividamento.

Que tipo de investimentos estão a ser feitos?

No Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL), por exemplo, está em construção um pavilhão de 3.000 metros quadrados, que se prevê que esteja concluído em Setembro/Outubro. Vai ser usado para um Cash & Carry, de alguém que já aqui está e que se quer expandir. Ao mesmo tempo, estamos a ter bastantes contactos comerciais e procura em todos os mercados do grupo. Também estamos a investir em tudo o que tem a ver com luzes LED, furos de água, contadores e um sistema de telemetria para acompanhar tudo o que se passa ao nível das utilities. É um investimento reprodutivo que depois nos vai dar diminuição da despesa. Além da vertente financeira, criar valor é também contribuirmos para o crescimento das empresas que aqui estão, bem como da economia dos sítios onde estamos. Nós assumimo-nos como um grupo nacional, mas ao mesmo tempo, também como empresas com vocação concelhia e distrital. Aí tínhamos muitas parceiras em que o grupo Simab era um parceiro passivo e em que agora estamos de corpo inteiroNo plano estratégico reforçam a importância da logística moderna. Como pretendem atraí-la para os vossos espaços?

Pela promoção daquilo que é a nossa oferta em termos de espaços adequados à sua actividade. Quer em termos da tipologia dos edifícios: os cais; os portões; os acessos. Como da oferta de serviços que nós temos: espaços que funcionam 24h/24h; estacionamento; locais onde os motoristas podem tomar uma refeição, abastecer, descansar, tomar um duche. Há aqui uma proximidade que queremos criar com o sector que nos permita atrair novos players e, ao mesmo tempo, dar condições para aqueles que estão a crescer e já estão nos nossos espaços o possam fazer.

Quanto espaço têm livre?

Nós ainda temos lotes de terreno para construir nos nossos diferentes mercados, mas também temos uma actividade dinâmica muito intensa, em que alguém que cresce dentro dos nossos espaços liberta outro lugar. Temos área para possibilitar o crescimento de quem já cá está e para atrair novos players.

Nos mercados abastecedores têm frutas, legumes, flores e pescado. Há possibilidade de alargar o espectro de produtos comercializados?

Sim, claro. Desde que haja procura comercial por parte dos operadores. Nós aqui no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL) estamos a negociar espaços comerciais para negócios relacionados com a carne. Em Évora já existe comércio de pescado, mas há também procura para que esse sector possa crescer. Estamos preparados para responder à oferta, assim haja parceiros privados que queiram investir no negócio.

Que investimentos estão a ser feitos?

No MARL, por exemplo, está em construção um pavilhão de 3.000 metros quadrados, que se prevê que esteja concluído em Setembro/Outubro. Vai ser usado para um Cash & Carry, de alguém que já aqui está e que se quer expandir. Ao mesmo tempo, estamos a ter bastantes contactos comerciais e procura em todos os mercados do grupo. Também estamos a investir em tudo o que tem a ver com luzed LED, furos de água, contadores e um sistema de telemetria para acompanhar tudo o que se passa ao nível das uttilities. É um investimento reprodutivo que depois nos vai dar diminuição da despesa. Além da vertente financeira, quando nós falamos em criar valor é também contribuirmos para o crescimento das empresas que aqui estão e para o crescimento da economia e dos sítios onde estamos. Nós assumimo-nos como um grupo nacional, mas ao mesmo tempo, também como empresas com vocação concelhia e distrital. Aí tínhamos muitas parceiras em que o grupo SIMAB era um parceiro passivo e em que nos assumimos de corpo inteiro.

infografia SIMAB

Os cinco objectivos estratégicos da Simab

Em relação ao Cash & Carry, qual é o benefício de haver uma estrutura dessas aqui dentro?

Achamos que a mais-valia é numa lógica de complementaridade. Nós apostamos numa multiplicidade de espaços e empresas. Desse ponto de vista, a questão dos Cash & Carry é relevante porque multiplica a oferta. Quem cá vem pode dirigir-se a todo o tipo de produtos e a todo o tipo de empresas. Isso traz mais tráfego. Também neste campo acabámos de fazer outro tipo de negócio que é uma central de compras de origem dinamarquesa, com actividade ao nível da importação e da exportação.

Um dos objectivos que se propõem é a promoção dos operadores no mercado internacional. Como vão fazê-lo?

O que temos feito é estreitar os laços de proximidade a tudo o que tem a ver com o comércio internacional e todas as iniciativas. Ter abertura para receber essas entidades no nosso espaço e para facilitar a promoção daquilo que são as actividades quer de importação, quer de exportação. Ao mesmo tempo, estabelecer e estreitar laços com mercados abastecedores internacionais. Depois cada um é que tem de fazer o seu caminho. Nós proporcionámos contactos da ProColombia com empresas aqui nos nossos espaços porque essa agência identificou que muitas empresas portuguesas iam comprar produtos colombianos via Madrid ou Barcelona.

Também querem dar formação aos recursos humanos. Como vai funcionar a Simab Academy?

No caso da Simab Academy, já começámos a formar os nossos recursos humanos, a estabelecer parcerias para que muitos dos nossos quadros voltem a ter certificação e formação de formadores. Numa primeira fase, vamos fazer com que muitos dos nossos quadros estejam habilitados a dar informação certificada e depois queremos usar isso para formação interna, para oferecer formação específica na área dos mercados abastecedores e municipais em todas as suas valências, desde logo às 1.500 empresas que temos nos nossos espaços, mas também para todo o tipo de entidades.

E o Simab Lab?

Ao nível do Simab Lab queremos fazer três coisas: ter uma unidade permanente que acompanhe aquilo que se faz; depois, estamos disponíveis para fazer parcerias com empresas privadas que se queiram associar, para que os serviços que queremos disponibilizar aos nossos operadores também possam ter a ver com a qualidade do produto, com as análises que tenham de fazer, com os desafios em termos de futuro que a legislação comunitária começa a introduzir ao nível de certificação. Essa é uma das áreas onde nos queremos posicionar. Nós não queremos ser só gestores de condomínio. Ao mesmo tempo, à semelhança do que existe noutros mercados estamos a estudar as duas alternativas ou até a complementaridade entre elas, de termos sistemas de gestão permanentes internos, mas ao mesmo tempo reforçar os laços com os organismos responsáveis do Ministério da Agricultura. Ganha o consumidor, ganha a transparência do negócio, com isso contribuímos também para a regulação da oferta e da procura, mas ao mesmo tempo, ganha também tudo o que é o agro-negócio, ganham as empresas que aqui estão e ganhando eles, ganhamos nós.

A ideia seria replicar a informação sobre o sistema dos mercados abastecedores internacionais para os mercados nacionais?

Claro, no fundo é reforçar, aumentando as sinergias, aquilo que já existe. Até fruto dos constrangimentos que o País atravessou. Nós queremos fomentar e dar continuidade àquilo que de bom tem sido feito nesta matéria. Com as entidades privadas, com o Ministério da Agricultura e depois disponibilizarmos esses grandes números de modo permanente nos nossos sites.

Que futuro imagina para os mercados abastecedores?

Aquilo que nós perspectivamos é que cada vez sejam espaços mais atractivos e mais qualificados. Ou seja, espaços que proporcionem, não só espaços físicos adequados e de qualidade, à operação das empresas, mas que acima de tudo tenham uma multiplicidade de serviços que torne muito amigável a instalação aqui nestes espaços.

Há espaço para mais mercados abastecedores em Portugal?

Temos tido, com este reposicionar da actividade, algumas abordagens de variadíssimas entidades, para estudar, ou a possibilidade de existência de novos mercados abastecedores Nós temo-nos disponibilizado para estudar estas oportunidades. Acho que se há coisa que todos aprendemos com os constrangimentos que o País atravessou é que temos de ser racionais nos investimentos e nas mais-valias, mas acho que há espaço. Em especial naquilo que tem a ver com o sector da logística, dos transportes e nesta proximidade ao sector agro-alimentar há espaço nalgumas zonas do País para que, numa lógica de parceria entre as entidades estatais a nível nacional, das entidades municipais e operadores privados para estudar algumas oportunidades. O caminho é a criação de espaços atractivos, que sejam simples em termos de funcionamento, que tenham serviços,  em que haja uma efectiva proximidade aos poderes municipais, dentro das regras, mas um acelerar do investimento, de aliviar a carga burocrática que é preciso para que o investimento estrangeiro se instale no nosso País, para facilitar o investimento nacional.

 




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