Batata

Estudo analisa impacto da retirada de substâncias activas na UE

No início de Julho a Copa-Cogeca, organização que representa os agricultores e as cooperativas agrícolas europeias, divulgou um estudo sobre o impacto na União Europeia (UE) caso sejam removidas do mercado mais substâncias activas utilizadas em produtos fitofarmacêuticos. O estudo, que visa «ilustrar o valor actual destas 75 substâncias para a agricultura europeia», foi realizado pela consultora Stewart Redqueen. Para tal, foram identificadas 75 substâncias actualmente em risco de serem retiradas do mercado e depois avaliado o impacto que essa retirada teria em sete culturas base – cevada, trigo, colza, milho, batata, beterraba sacarina, vinha – e em 24 culturas especializadas – como soja, citrinos, cenoura, maçã, pêra, cebola, tomate, girassol, entre outras. A análise teve por base a produtividade e os custos médios num período de cinco anos (2009-2013), com foco nos nove maiores mercados agrícolas da UE e extrapolando depois os efeitos ao nível da UE.

O uso das 75 substâncias identificadas para produzir as sete culturas base na UE contribui para um «valor de colheita» de 96 milhões de toneladas ou de 15 mil milhões de euros, conclui o estudo. Estas 75 substâncias, refere o documento, «são cruciais para a viabilidade económica das 24 culturas especializadas» abrangidas pelo estudo e, face à actual procura, «suportam a auto-suficiência da UE em trigo, cevada, batata e beterraba sacarina, além de limitarem os níveis de importação de colza e milho». É apontado também um potencial de perdas de produtividade: -10/20% no milho e na colza, -30/40% na batata e na beterraba, -20% na vinha, -92% na cenoura, -60% na maçã, -65% na pêra, -40% na azeitona, -36% no tomate, -36% nos citrinos e -15% na cereja.

As sete culturas base correspondem a 1,2 milhões de empregos directos, dos quais 30% enfrentam «um risco médio ou elevado de desaparecerem, devido a margens relativamente reduzidas para estas colheitas». Por sua vez, as 24 culturas especializadas envolvem 300.000 empregos directos, dos quais quase 60% estão num «risco elevado» de desaparecer devido a uma perda de margens relativamente ampla.

O estudo salienta ainda que «a diversidade de substâncias disponíveis é crucial para fazer face à pressão imediata de pragas e para prevenir efeitos de resistência a longo prazo». Pekka Pesonen, secretário-geral da Copa-Cogeca, sublinha que «muitas das substâncias identificadas no estudo ainda estão a ser usadas em países não europeus, o que nos coloca numa completa desvantagem competitiva, sem qualquer vantagem para o consumidor europeu». Max Shulman, responsável pela área de cereais da Copa-Cogeca, indica ainda que «é improvável que as substâncias retiradas sejam facilmente substituídas», devido aos custos e ao tempo necessários para introduzir novas substâncias activas no mercado e devido à redução sistemática que se tem verificado no número de produtos à espera de aprovação para uso na UE.

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